sábado, 16 de agosto de 2014

Um dia sem graça

Um dia sem graça é quando você não sente vontade de fazer nada
Em absolutamente nada

Você queria ir ao Parque quando criança e tinha uma sequencia de limitações imposta pelos seus próprios pais em não pode isso ou aquilo
Deve ser muito bom comer algodão doce e se sujar
Comer cachorro quente e se lambuzar
Pegar as pipocas e jogar para o alto e quem sabe acertar alguma com a boca
Correr pra ser a primeira na fila do carrinho de bate bate
Gritar no trem fantasma
Em que nos dias de chuva você gostaria apenas de ir na rua enfrente aquela casa e se molhar
Em que você gostaria de deitar numa grama qualquer e contar as estrelas a noite
Em que você gostaria de um pote enorme de sorvete em dias quentes
Em que você sonhou tanto com aquele casamento de contos de fadas
Quando tudo  fica num final feliz
Em que você imagina todos os dias uma família margarina
Aqueles dias em que você anda de bicicleta e sente o vento no seu rosto
Em que você pode soltar as mãos e os pés sem tem medo de cair
Quem sabe aqueles dias que você gostaria de ir a praia só pra ver o mar
Aquelas ótimas caminhadas e trilhas de suar
E ficar cansada e muita cansada no dia seguinte
Ver o amanhecer pertinho do mar ou no alto de alguma serra
Poder ver o pôr do Sol que é um espetáculo da natureza
Sentir o cheiro do mato
Sentir o cheiro da terra molhada
Aquele maravilhoso cheiro de café fresco e pão quente
Poder ver e ficar pertinho de muitas margaridas brancas
E a qualquer hora se permitir a beijos  longos na boca e quem sabe algumas carícias sem sexo
Poder se permitir dançar de qualquer jeito mais nas músicas que você mais gosta
Poder falar o que quiser e na hora que quiser mas ter alguém que realmente preste atenção
Sentir que as pessoas que estão ao seu lado no dia a dia querem você sempre aqui e ali
Sentir que as pessoas sentem a sua falta e fazem questão da sua presença
Poder correr,pular,falar,gritar,ouvir,chorar,tocar,SORRIR... não são limitações somente de deficientes
É de quem não tem vontade de fazer nada e os dias serem tão sem graça.

^^


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Como a energia negativa afeta sua vida e como limpá-la

Você sabe que semelhante atrai semelhante, certo? Então aqui está o negócio: as pessoas positivas são atraídas para a energia positiva; pessoas negativas são atraídas para as energias negativas. 

Nós tendemos a perceber a energia negativa como algo que outras pessoas têm. Claro, às vezes nos sentimos negativos - como em "vá embora e me deixe em paz, mundo!", Mas você sabia que a negatividade pode ser tão enraizada em você que passa despercebida? 

Isso porque a negatividade às vezes usa um disfarce chamado "realidade". É fácil racionalizar que você está "sendo apenas realista" em não ousar agir em um sonho - e acreditar! 

Você pode supor que as pessoas positivas não estão sendo realistas - que estão sendo ingênuo, que eles estão em negação com a cabeça enterrada na areia, que eles colocaram sorrisos falsos diante da dificuldade e assim por diante. Mas eles são realmente idiotas felizes ou há algo de sua positividade? 

Considere o seguinte: desde quando é que "ser realista" significa necessariamente que as coisas vão dar errado e que você tem que aceitar isso como a verdade? 

Isso não significa que ser realista é automaticamente negativo. Quando você vê o mundo a partir de um ponto de vista "realista", você não pode deixar de ser negativo se a sua versão da realidade é negativa.
 

Se a sua versão da realidade é negativa, você está condicionado a acreditar que tudo o que pode dar errado, vai dar errado e tudo o que pode dar certo, provavelmente vai dar errado também. Suas crenças inconscientemente detidas farão de você uma pessoa negativa sem que você esteja ciente disso! 

Portanto - se essa negatividade é tão arraigado em você, que você não perceba, como você determina se você está preso em uma nuvem de energia negativa que está atraindo as pessoas erradas, situações erradas e sentimentos errados? E como você pode ter certeza que você não está perpetuando essa negatividade? 

Aqui está um rápido teste para medir o nível de energia negativa dentro de você: 

Você se queixam? Durante todo o tempo ou apenas algumas vezes? 
Você costuma discutir o que há de errado no mundo mais do que o que é certo? Isto inclui o tempo 'terrível', o tráfego 'horrível', 'idiota' do governo, a economia ruim ',' estúpido 'sogros, etc 
Você criticar? O tempo ou apenas certas todas as pessoas? 
Você é atraído para o drama e desastre (você pode descolar-se da TV quando há uma notícia de um desastre e você pode evitar se envolver na vida das celebridades disfuncionais?) 
Você culpa? Durante todo o tempo ou apenas a determinadas situações? 
Você acredita que você não tem controle sobre a maior parte de seus resultados? 
Você se sente como uma vítima? Você fala sobre pessoas que fazem coisas para você?
Você está grato por aquilo que é, ou você vai ser grato quando as coisas finalmente começam a ir direito para você? 
Você se sente como as coisas estão acontecendo com você? Ou você acha que eles estão acontecendo através de você? 
Estes dois últimos pontos são importantes: 

Se você não é grato, exceto quando as coisas dão certo, você é negativo. A gratidão é positivo. Se você é grato por aquilo que é (incluindo a escola desagradável de lições de vida, então você pode convidar mais e mais energia positiva em sua vida. 

Acreditando que as coisas acontecem para você o coloca no papel de vítima; então é fácil ser negativo porque é conveniente dar-se esse poder. Portanto, considere esta alternativa: quem ou o que é a culpa quando as coisas boas acontecem para você? Você reconhece que você é responsável pelas coisas boas - como, você trabalhou duro, você ganhou, etc ... mas culpar eventos externos ou outras pessoas por suas falhas? Então como é que, quando as coisas boas acontecem, eles são o resultado do que você faz, mas quando coisas ruins acontecem, não são culpa sua? 

Ninguém gosta de ouvir isso. É preciso coragem para aceitar que você cria a sua experiência de vida! 

Se você respondeu sim a alguma das perguntas acima, você está segurando a energia negativa em algum grau! Para limpar a sua energia negativa e elevar a sua vibração, você vai precisar de treinar-se de escolher uma atitude positiva. 

Aqui está outra idéia interessante a considerar: você já reparou que as pessoas positivas parecem conseguir o que quer da vida, e mesmo que as coisas não vão sua maneira, eles ainda desfrutar de suas vidas ... enquanto as pessoas negativas lamentar e lamentar-se sobre seus infortúnios e até mesmo as coisas boas em suas vidas? 

Para limpar a energia negativa, tente este processo de 3 -Passo: 

1. Apropriar-se: "Quando você acha que tudo é culpa de alguém, você vai sofrer muito. Quando você percebe que tudo nasce apenas de si mesmo, você vai aprender a paz ea alegria. "- Dalai Lama 

2. Cancelar pensamentos negativos e substituí-los por thoughts.This positivos requer prática, dedicação e tomar uma decisão de ver o mundo através dos olhos de "que pode dar certo" em vez de "o que pode dar errado." Você vai ter que pegar você mesmo quando você está agindo ou falando a sua negatividade, e imediatamente mudar sua melodia. 

3 Use o amor ou Acima Toolkit espiritual para limpar a sua energia e trazer mais luz e amor em sua vida; visualizar o positivo, em vez de começar sugado negatividade; superar condicionamento passado; pensar intuitivamente da alma, em vez de "realidade"; criar uma nova realidade, desejado em sua imaginação e manifestá-la no mundo exterior. Ninguém quer a energia negativa para permear suas vidas, mas muitos de nós permitir. Mas nós permitimos inconscientemente, com base no condicionamento passado que sugere um resultado inevitável de determinadas situações. Quando você superar esse condicionamento e perceber que o futuro não está gravado em pedra, mas que você tem mais controle sobre suas circunstâncias do que você acredita - então você pode começar a projetar conscientemente sua vida. 

^^

domingo, 10 de agosto de 2014

A gravidez de um pai

A gravidez de um pai não se dá nas entranhas, mas fora delas.

Ela se dá primeiro no coração, onde o sentimento de paternidade é gerado. Um desejo de ser e de se ver prolongado em outra vida, que seja parte de si mesmo, mas com vida própria. Imagino que deve ser frustrante a princípio. Durante toda a espera, um pai é um pai sem experimentar o gosto de ser, sem os inconvenientes de uma gravidez, mas também sem as lindas emoções que tanto mexem com a gente.

E quando ele sente pela primeira vez a vida que ajudou a gerar, tudo toma outra forma. Ele sente um chute e se diz já que este será um grande jogador de futebol. E muitas vezes se surpreende e se maravilha quando vê uma princesinha que sabe chutar tão bem. Mas tanto faz. Está ali um sonho que se torna palpável.

E um parto de um pai se dá quando ele pega pela primeira vez sua criança nos braços, quando ele se vê em características naquele serzinho tão miudinho que nem se dá conta ainda que veio ao mundo e que se tornou o mundo de alguém. E os sentimentos e emoções se atropelam dentro dele. E ele sente que, a partir desse instante, a vida nunca mais será a mesma. E ele precisa olhar dez, cem, mil vezes para acreditar que tudo não passa de um sonho. E geralmente há um enorme sentimento de orgulho que toma posse dele.

Assim se forma um pai. Pronto para ensinar tudo o que aprendeu da vida, um dia ele descobre que não sabe realmente muito, que na verdade aprende a cada instante. Diante da sua criança ele se torna um adulto vulnerável e acessível. E vai gerando, pouquinho a pouquinho, dentro de si mesmo, a arte de se tornar um pai.

Letícia Thompson




terça-feira, 15 de julho de 2014

RELACIONAMENTOS (Arnaldo Jabor)

Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
- 'Ah,terminei o namoro...
- 'Nossa,quanto tempo?'
... - 'Cinco anos... Mas não deu certo...acabou'
- É não deu...?
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.
Tudo nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico; que é uma delícia.
E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate... se joga... se não bate...mais um Martini, por favor... e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não lute, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família?
O legal é alguém que está com você por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por dó também.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria compania?
Gostar dói.
Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte.
Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo
E nem sempre as coisas saem como você quer...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
E nem todo sexo bom é para namorar
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar.
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil?
FATO !




domingo, 13 de julho de 2014

AS 20 COISAS QUE MÃE DETESTA
• Que acorde o bebê/criança;
• Que dê comida sem perguntar antes se pode;
• Que fique passando o bebê de colo em colo (quando é recém nascido);
• Que pegue o bebê no colo e não solte mais (quando é recém nascido);
• Que beije a mão e rosto do bebê (quando é recém nascido);
• Que faça visitas sem avisar (também quando é recém nascido. Tudo é mais complicado nessa fase);
• Que questione se mama no peito;
• E, se a resposta for não, que questione por que não mama;
• E, se a resposta for sim, que questione por que ainda mama nessa idade (não dá para acertar nunca, vocês já viram, né!);
• Que fique perguntando por que a criança chora tanto;
• Que fique perguntando por que a criança não dorme;
• Que fique perguntando, sem parar, se o bebê não está com frio, calor, fome, entre outros…
• Que questione a decisão do tipo de parto;
• Que questione por que o bebê ainda não senta, não fala, não engatinha, não anda;
• Que insista que no seu tempo as coisas eram diferentes (e melhores);
• Que faça comparações, sejam da criança ou da mãe;
• Que questionem a decisão de colocar na escolinha, não colocar na escolinha, contratar babá, não contratar babá, largar o trabalho para cuidar do filho (enfim, qualquer uma dessas decisões. Não é necessário questionar, garanto que a decisão foi muito, muito, muito bem pensada! E, muitas vezes, sofrida);
• Que condene as decisões sobre a alimentação da criança (sempre tem alguém achando que é um exagero os pais darem só orgânicos ou o fim do mundo a criança ter comido um Danoninho com dois anos de idade. Mais um assunto difícil de agradar todo mundo);
• Que fique contando vantagem, falando que o filho dormiu a noite toda com dois meses, atingiu todos os marcos de desenvolvimento antes da hora, come de tudo sem reclamar e é super comportado (mentir é feio, viu! kkk!);
• E, principalmente, que julgue e condene sem nem saber o que se passa na casa do outro. Uma das coisas mais comuns hoje em dia! Até para quem é mãe e bastante experiente no assunto (que vergonha!!!).
Por Shirley Hilgert, autora do blog Macetes de Mãe


sábado, 12 de julho de 2014

relacionar as palavras e os pensamentos que é mais original do que pensamos. Apesar de todos falarmos a mesma língua, nem sempre o que dizemos corresponde exatamente ao que o outro ouve; e, o que é o principal, muitas vezes não está em sintonia com aquilo que estava em nossa mente. Ou seja, como cada cérebro é único, não é raro que aquilo que estou escrevendo aqui agora – e que é o fruto de um esforço de transformar em palavras o que se passa em minha mente – não corresponda ao que você, leitor, estará entendendo. Isso não se deve apenas à uma eventual dificuldade minha de me comunicar e sim a diferenças relevantes entre os nossos modos de pensar.

Em contrapartida, há vezes em que o que falamos ou escrevemos parece corresponder exatamente ao que nosso interlocutor entendeu. A sensação é extremamente agradável, uma vez que nos sentimos devidamente entendidos e isso define uma importante afinidade no sistema de pensar, condição indispensável para que se constitua um relacionamento íntimo. Quando ocorre essa comunicação bem sucedida nossa sensação é de aconchego, de não estarmos tão sozinhos nesse mundo.

Ao longo do convívio com alguém cujo modo de pensar é suficiente parecido com o nosso, é claro que podem surgir divergências de pontos de vista e mesmo de atitudes diante das várias condições objetivas da vida de cada um dos que são íntimos.

É indispensável que esse canal fluente e fácil de comunicação não se feche, o que exige certos cuidados muito relevantes. O primeiro deles diz respeito ao modo como colocamos nossas diferenças: o melhor caminho consiste no uso da primeira pessoa do singular e não a terceira pessoa, uma vez ela que pode facilmente provocar a sensação de cobrança, crítica ou acusação.

Se algo me desagrada no outro, posso dizer a ele que “eu fico triste quando acontece isso ou aquilo entre nós” em vez de “não acho que você deveria fazer isso ou aquilo”; ou pior ainda: “não aceito – não admito – que você faça isso ou aquilo”.

Ninguém tem o direito de exigir nada de ninguém, muito menos dos mais íntimos. Temos o direito e mesmo o dever de informá-los sobre os desdobramentos de seus atos: “quando você age dessa ou daquela maneira, isso provoca em mim tantas e tais sensações e emoções”. Se o outro quiser nos agradar certamente tenderá a evitar as condutas que nos entristecem. Se não for esse o caso, cabe a nós decidir se aceitamos ou não o convívio com essa pessoa.

Outro ingrediente que considero fundamental para a continuidade dos relacionamentos baseados em respeito e intimidade é a ausência de críticas.
Quando uma pessoa relevante nos censura, nossa sensação é muito desagradável; e é especialmente ruim se esperávamos algum tipo de compreensão ou alívio de um desconforto que nós mesmos estejamos sentindo por termos cometido algum erro.

Quando esperamos colo e recebemos uma reprimenda, tendemos a nos calar; e não só naquela dada situação específica, mas também em qualquer outra que venha a ser passível de algum tipo de reprimenda.

Um exemplo: se eu contar para o meu parceiro sentimental algo no qual eu tenha falhado – ou algum sonho ou pensamento não muito abonador – eu não gostaria de ouvir algo do tipo “nossa, nunca pensei que você fosse fazer essa bobagem ou ter tal tipo de pensamento”. É claro que da próxima vez que eu fizer algo que possa ser censurável ou pensar algo não tão agradável não mais contarei o que se passou comigo.

Assim, o que mais comumente interrompe a comunicação e impede a intimidade são atitudes críticas e reprovadoras vindas de parceiros cuja aceitação nos é tão importante.

Se ao invés de críticas ouvirmos algo do tipo “você sabe que em uma dada ocasião fiz algo parecido e sei muito bem como é chato errar e imagino como você deva estar se sentindo; mas não se aflija, pois isso logo passa”, é claro que a intimidade cresce e se fortalece.

Em síntese, as boas relações de companheirismo acontecem entre aqueles que possuem modos de ser e de pensar assemelhados, que sejam muito cautelosos ao colocar suas divergências – sempre dando prioridade para a descrição da repercussão das ações do outro sobre si mesmo – e, mais que tudo, entre pessoas que não se arvorem em juízes e que sejam acima de tudo cúmplices.




terça-feira, 1 de julho de 2014

A melhor vida possível

Quanto mais converso por aí, mais percebo que é inútil acreditar em verdades absolutas e fórmulas ideais de convivência. Cada pessoa tem familiares que influenciaram suas escolhas, medos herdados e medos adquiridos, sonhos altos demais ou mesmo nenhum, e um número incalculável de perguntas sem respostas, de desejos embaraçosos, de mágoas vitalícias. Quem vai decretar para mim o que é melhor para mim? E quem vai dizer o que é melhor para você? Com que topete?

A melhor vida não é aquela que atende os mandamentos universais, as ordens celestes e os clichês eternizados, mas a que se tornou possível, a que você vem construindo a despeito de todas as suas dúvidas.

A melhor vida seria a da Gisele Bundchen, pensa a menina feia. A melhor vida seria a da Dilma, pensa a vereadora de uma cidadezinha do interior. Enquanto isso, vivem a vida possível, sem perceber o quanto deveriam ser gratas por não precisarem arcar com consequências que desconhecem.

A melhor vida para mim é bem diferente da melhor vida para você. Reúna o planeta inteiro e não se encontrará duas pessoas que planejem possuir a mesma vida, porque uns não querem ter horário para nada, outros se envaidecem de ter suas atitudes comentadas por estranhos, há os que se paralisam à primeira frustração, os que estão sempre inventando novos desafios, e a vida possível de cada um torna-se impossível para os demais, o que não deixa de ser uma piada termos que conviver intimamente uns com os outros apesar desse tabuleiro inesgotável de escolhas e destinos.

Se eu almejar uma vida ideal, terei que me basear na vida dos outros, pois o ideal é fruto de uma racionalização coletiva e consagrada, enquanto que se eu me contentar com uma vida possível, volto a assumir algum controle sobre os royalties das minhas decisões. O que não impede que ela seja ótima, a mais adequada para o fôlego que tenho, a mais realizável dentro de minhas ambições, a menos sofrida, já que regulada pelo autoconhecimento que adquiri até aqui. Tenho como manejar uma vida possível de um jeito que jamais teria de manejar uma vida perfeita, até porque vida perfeita não é deste mundo, e o sobrenatural é matéria que não domino.

A melhor vida não é a focada em suposições, fantasias, esperas, surpresas e demais previsões que raramente se confirmam. A melhor vida não é aquela que é cumprida feito um pagamento de dívida, como um acerto de contas com nossos antigos anseios juvenis. A melhor vida não é a que desenhamos quando criança na folha do caderno, a casinha de venezianas abertas, a fumaça saindo pela chaminé e os girassóis protegidos por uma cerquinha branca, e tudo o que isso sugere de proteção e vizinhança com os desejos comuns a todos. A melhor vida possível é aquela que você ainda vem desenhando, mesmo já com algumas pontas de lápis quebradas.

Martha Medeiros