sábado, 18 de fevereiro de 2017

A lei do espelho: o que vê nos outros é na verdade seu reflexo

Na hora de construir cada passo de nosso crescimento pessoal focamos excessivamente em nosso interior, quando grande parte do que poderíamos aprender está na verdade no exterior ou em nosso entorno, quando de confiança. Várias lendas e mitos nos ensinam desde a antiguidade que o que vemos nos outros nos revela informações sagradas sobre nós mesmos: é como um espelho.
Muitos têm sido os estudos sobre psicologia pessoal que afirmam que o exterior atua como um espelho em nossa mente. Um espelho em que vemos refletidas diferentes qualidades, características e aspectos pessoais de nossa própria essência, de nosso ser mais primitivo. Falamos de situações que frequentemente ocorrem em nosso dia a dia quando observamos algo que não gostamos nos outros e sentimento um certo desgosto, um descontentamento. Pois bem, estamos diante da lei do espelho. Esta estabelece que de algum modo esse aspecto que nos causa desgosto em determinada pessoa existe também em nosso interior. Por que isso ocorre desse modo? Explicaremos a seguir e daremos detalhes sobre sua função e a origem dessa lei.
“As pessoas só nos devolvem refletida a forma como nós somos.”
-Laurent Gounelle
A lei do espelho estabelece que nosso inconsciente, ajudado pela projeção psicológica que realizamos durante esse momento, nos faz pensar que o defeito ou desagrado que percebemos nos outros existe somente “lá fora”, não em nós mesmos. A projeção psicológica é um mecanismo de defesa por meio do qual atribuímos a outras pessoas nossos sentimentos, pensamentos, crenças ou até mesmo ações próprias que são inaceitáveis para nós.

A projeção psicológica começa a atuar durante experiências que nos trazem algum tipo de conflito emocional, ou nos momentos em que nos sentimentos ameaçados, tanto interiormente quando exteriormente. Quando nossa mente entende que existe uma ameaça para nossa integridade tanto física quanto emocional, esta emite um sinal de rejeição para o exterior, projetando essas características e atribuindo as mesmas a um objeto ou sujeito externo que não nós mesmos. Assim, aparentemente colocamos a ameaça fora de nós.
As projeções acontecem tanto com as experiências negativas como com as experiências positivas. Nossa realidade é colocada para fora sem filtro no mundo exterior, construindo a verdade com nossas próprias características pessoais. Uma experiência típica da projeção psicológica acontece quando nos apaixonamos e atribuímos à pessoa amada certas características que na verdade só existem em nós mesmos.

Projetamos sobre o exterior nossa própria realidade

A lei do espelho se reflete quando afirmamos conhecer muito bem outras pessoas e, na verdade, o que fazemos é projetar sobre elas nossa própria realidade. Quando ocorre essa situação estamos colocando nossa visão projetada de nós mesmos sobre a imagem física da outra pessoa que é captada por nossos sentidos.
Ser consciente daquilo que projetamos nos outros nos permite descobrir como somos de verdade. Quando adquirimos o conhecimento desse mecanismo mental é fácil recuperar o controle sobre o que está acontecendo em nosso interior para que possamos fazer uso disso e trabalhar os aspectos que estão presentes em nós mas que não desejamos manter, ou que queremos transformar de algum modo.
É imprescindível lembrar que tudo o que chega para nós através de nossos sentidos já aceitamos como certo, sem reconhecer que muitas vezes ocorre interpretação e nossa subjetividade influencia a percepção. Vivemos de acordo com essa forma de perceber a realidade, acreditando em distorções negativas ou que nos geram mal-estar na hora de nos relacionarmos com as pessoas a nossa volta, inclusive com nós mesmos.
Se quisermos empregar esse recurso natural da psique – o projetar – de forma saudável e plena para obter um crescimento interior saudável, a meditação nos ajudará a traçar essa fronteira, facilitando o aprendizado de ver as coisas como elas realmente são. Sempre recordando a premissa que “observar diz mais sobre o observador do que sobre o que está sendo observado”.

A CAVERNA NA QUAL INSISTIMOS EM PERMANECER

O assunto que desejo abordar é um pouco complexo. O que não deveria ocorrer, caso tivéssemos uma educação que valorizasse as ciências humanas e a filosofia. Infelizmente, nossa sociedade não foi ensinada sobre a importância de entender o mundo a partir de conhecimentos que analisam os vários fenômenos sociais que estamos ligados direta ou indiretamente. Como consequência, um povo altamente despolitizado.
As redes sociais possibilitaram, dentre outras coisas, evidenciar a grande dificuldade das pessoas em assimilar conceitos básicos para o bom entendimento do que são as diversas correntes ideológicas e suas divisões. Muitos, por exemplo, afirmam ser marxistas sem ter lido sequer uma obra de Karl Marx ou de alguém que procure elucidar o pensamento deste autor. Como não bastasse, aqueles que se dizem discordar das ideias do referido pensador, muito menos. Entretanto, ambas as partes se acham no direito de expressar suas impressões sobre Marx, sem ter o mínimo conhecimento prévio para dialogar com alguém.
Não estou aqui a afirmar que essas pessoas não deveriam dizer nada. Muito pelo contrário, elas devem dizer o que pensam.
Mas devem fazê-lo com propriedade, conhecer o que de fato defendem. Se não, torna-se o que chamamos de doxa, ou seja, uma opinião baseada no senso comum, sem nenhuma reflexão sobre este ou aquele assunto. Tendo apenas a intenção de perpetuar tradições, preconceitos e, na maioria das vezes, justificar discriminações.
A mídia, em especial as que pertencem aos grandes grupos corporativistas, contribui para essa (de)formação que leva a maior parte da população, até mesmo grande parte da mais “letrada”, a um estado de espírito incapaz de ver além das linhas do horizonte, de conseguir fazer um leitura crítica da realidade em que está inserido.
Os meios de comunicação que tanto falamos serem ferramentas que aproximam as pessoas, e, com a globalização e o advento da internet, nos permitem saber, quase em tempo real (ou real mesmo), o que se passa em qualquer canto do planeta, também são utilizados para distanciar indivíduos do conhecimento fundamentados na análise crítica, na observação e no uso da razão, a episteme.
Acredito que se fosse dado a todos os seres humanos a oportunidade de pensar da maneira mais autônoma possível, teríamos saído da caverna (referência ao mundo das aparências), conforme Platão ilustra em sua obra A República, na passagem sobre o “Mito da Caverna”. A grande questão é: Estamos dispostos a sair de nossas cavernas e nos deixar guiar pela luz do sol que ilumina o mundo exterior a essas cavernas?
Essa luz do sol, que podemos entender aqui como o conhecimento, está à disposição de todos aqueles que a buscam, talvez muitos podem, assim, dizer. No entanto, por se encontrar numa caverna, na caverna individual de cada ser, só se poderá ter contato com essa luz através da decisão de ouvir aquele que se libertou das correntes, que são as opiniões (doxa), e deseja mostrá-las aos demais.
Na metáfora de Platão, trata-se do filósofo que, por meio da filosofia, se libertou dos preconceitos e conhecimentos errôneos, e quer dar a oportunidade aos outros de adquirirem conhecimentos. E não é um conhecimento doutrinário ou do estilo autoajuda, os quais dependem de alguém iluminado, superior, que conduz as pessoas ao bem maior. A filosofia, na verdade, propõe fazer dos homens e mulheres seres autônomos intelectualmente. Quer dizer que, ao invés de se guiarem pelo o que lhe é dito, eles e elas construirão sua própria forma de ver o mundo, longe de superstições e aparências.
O termo “filósofo” significa literalmente “amigo da sabedoria”. Neste sentido podemos dizer que filósofo é muito mais do que um título acadêmico. É alguém que ama tanto o conhecimento que busca a todo o custo adquiri-lo, pelo simples prazer de aprender. Eis aqui o problema maior: há uma campanha crescente, digo sempre, para que as pessoas não tenham o estímulo necessário para aprender. E não é à toa! “Seria uma atitude muito ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que permitissem às classes dominadas perceberem as injustiças sociais de forma crítica”, disse Paulo Freire. Diga-se de passagem, que este grande intelectual e educador, foi alvo de críticas das manifestações ocorridas nas últimas semanas. O que me causou um choque, pois, independente de sua orientação política, as contribuições dele para a educação foram e são relevantes.
Seja como for, o caminho de volta à caverna começou a ser seguido por muita gente que prefere se acomodar no meio da escuridão a sentir a dor que a claridade provoca, no início, quando em contato com a luz. Esquece que tal dor é passageira. Assim que os olhos se acostumam, perceberá que há um mundo fantástico a ser compreendido e desvendado.
É uma pena ver que a mídia deseja nos ver presos às ideologias que nos escravizam e nos mantém longe de todo o conhecimento que poderia beneficiar a humanidade. Bom, nem sempre causa algum bem. Mas, ao menos, viabiliza tentar um mundo melhor.
Por Carlos Beloto

Chique é tratar bem os outros

As marcas traduzem-se em status, e há ícones essenciais que revelam quem são as pessoas, mesmo que nunca se tenha falado com elas: os óculos, as roupas, os sapatos, a bolsa, o relógio, o celular… Tratam-se de categorias de objetos que funcionam como uma apresentação e permitem posicionar a pessoa na escala social. É a clara definição do “quem tem o quê” porque isso revela “quem tem quanto”.
É difícil fugir desse padrão de comportamento — por muito que se deseje ou tente — e, em certos meios sociais, é quase impossível. Tornou-se um paradigma que permite reconhecer os outros pelo seu poder aquisitivo, pelo seu status social, bem ao modo materialista do mundo moderno.
Mas, na verdade, trata-se de uma falsa questão, porque o dinheiro, as marcas, as roupas e os objetos, são insuficientes para revelar quem são as pessoas. O que as separa — realmente — é a discrição, a educação, a generosidade e a distinção. E estes traços dividem, ainda que grosseiramente, as pessoas em dois grupos: os deselegantes, que se esforçam por aparecer a qualquer preço, e os elegantes, que primam pela discrição.
Os primeiros, os deselegantes, expõem a sua privacidade, invadem a esfera pública com as suas emoções exageradas e sentem necessidade constante de mostrar as etiquetas das suas roupas. Gostam de contar o que têm e falar do que compraram ou vão comprar. Citam muitas marcas e, com frequência, comentam-nas com a pronúncia errada. Givenchy é difícil para eles. Moschino também. E muitos nem sequer sabem o que é Fendi.
Mas afirmam-se pelas marcas, e o seu comportamento é ditado pelo exagero: falam demais e alto demais, gesticulam demais, mostram demais, abraçam demais, usam roupas demasiado justas ou curtas e decotes demasiado grandes. Neles, tudo é excessivo. E estes são apenas os traços visíveis.
O pior de tudo é o hábito de maltratar os outros — o porteiro, a manicure, o motorista, o empregado da loja, o garçom, ou qualquer pessoa que os sirva ou trabalhe para eles. São mal educados, grosseiros: não dizem obrigado, por favor, bom dia ou com licença. Sobre isto, o escritor Miguel-Angel Martí García afirma que “a forma de falar de uma pessoa diz mais sobre ela do que o seu vestuário”.
Já os elegantes, são de outra cepa: não expõem marcas, não falam das suas joias ou dos seus bens, e acham sempre que menos é mais. A discrição é a sua palavra chave, e neles tudo é comedido, sereno, sem exageros.
Ser elegante é algo que tem a ver com uma atitude: está muito além de ter dinheiro. É, fundamentalmente, ter educação. E o melhor traço dos elegantes é o respeito pelo outro: são generosos, sorriem, são suaves, não insultam e nem maltratam ninguém.
Alguém elegante não se imita – porque não basta ter, tem que ser. Ser educado, ser reservado, ser generoso, ser simples, ser distinto. E ser é algo difícil de conseguir: faz parte de um refinamento adquirido ao longo de anos, e que se entranha na pele, tornando-se tão natural quanto respirar. Ser é uma caraterística que pertence à alma e não ao dinheiro.
Atualmente as pessoas definem-se cada vez mais pelo dinheiro: há os que têm e os que não têm. Esta é uma forma simplista de classificar o mundo pelos padrões de consumo e riqueza. Simplista e, paradoxalmente, pobre.
O que nos define é a forma como tratamos os outros, porque isso diz tudo de nós. Não é o que temos, mas o que sai de nós que revela quem somos.
Texto de Ivone Martins

Elas gostam mesmo é dos sensíveis!

Não! Não me venha com esse papo de que homem com H não pode falar manso e ter gestos elegantes, ah não…
Elas gostam mesmo é dos sensíveis! Daqueles que preferem olhar nos olhos dela e perguntar: “Como foi o seu dia meu amor”, e mesmo após um dia muito cansativo, ter interesse genuíno em ouvi-la, cada detalhe e fazer perguntas olhando nos olhos dela demonstrando total interesse por tudo que acontece com ela!
Elas gostam mesmo é dos homens que falam olhando nos olhos e preferem olhar para ela à olhar para os próprios músculos! Vamos esclarecer, óbvio que vamos praticar exercícios e cuidar do nosso corpo, mas ela precisa saber que ela é prioridade! O que ela sente te preocupa….
E atenção: Nada mais deselegante do que falar com ela enquanto olha o whatsup no celular! Ou navega pelo Facebook.. Enquanto ela fala, atenção total, não perca nenhum detalhe das milhares de recomendações que ela irá te fazer, pois lembre-se, você deve estar atento a tudo que a rodeia.
Abrir a porta do carro faz muita diferença! Pois nos tempos de hoje isto é um diferencial competitivo e tanto! Nada pode ser mais sedutor do que ter a porta do carro aberta por seu amor…
No restaurante, você só se senta após ela, ou seja, você puxa primeiro a cadeira delicadamente, para que ela se sente. As conversas são sobre a vida, arte, livros e filmes de romance, filosofia, psicologia. Ela gosta de assuntos do coração, sensibilidade à flor da pele e você acompanha todos os assuntos, olhando em seus olhos e segurando em sua mão. Ela vai ao toilette e te avisa, você se levanta antes dela, quando ela sai, você se senta.
No elevador, você só entra depois dela e na hora de sair, ela sai primeiro. Nada de sair antes dela, atravessar o caminho e entrar primeiro do que ela em algum lugar, não pode haver nada mais grosseiro!
Muito importante! Nada de falar alto e gesticulando, também, por favor não “assassine” o português! Nada como um homem de fala tranquila, macia, voz suave, calma e forma educada de falar, por favor e obrigado, são básicos, isso inclui também: “Nossa como você está linda hoje”!
Ah…e se chorar em algum filme junto com você….isto sim seria arrasador, pois elas gostam mesmo é dos sensíveis!
Sedutor é um homem de fala suave, tranquila e macia. Bonito é ser educado. Gostoso é receber um elogio estando no seu dia “mais normal”. Maravilhoso é ter alguém que se importa com você de verdade!
Felicidade é vigiar as próprias ações ao invés de somente cobrar as ações do outro!

domingo, 12 de fevereiro de 2017

QUANDO VOCÊ DEIXAR DE ESPERAR, SUA VIDA MUDA!

Eu gosto de agir de forma sincera ante a vida, ante a minha vida. Uma das minhas tarefas diárias consiste em liberar a consciência de minhas ilusões ou promessas eternas. Eu percebi que usei um monte de alta energia quando me imaginei na situação futura que queria. Eu me concentrei muito no amanhã.

Então eu decidi parar de viver esperando. Quando você toma essa decisão, seu coração respira aliviado e sua alma começa a viver de verdade. Em geral, nos concentramos em como viver, não percebendo que apenas com isso nos condicionamos e não vivemos realmente. Nós aprisionarmos e robotizamos a nossa alma.

Então um dia eu decidi parar de pensar sobre mim mesmo, sobre o que eu esperava de mim, de todas as minhas ilusões. Eu decidi parar de criar expectativas e viver nelas continuamente, de forma constante … Decidi me concentrar no que estava acontecendo em cada momento e apreciar, em vez de esperar.

“O passado fugiu, o que você espera está ausente, mas o presente é seu.” – Provérbio árabe

Pare de esperar algo dos outros

Decidi, portanto, parar de esperar algo dos outros. Pois as pessoas ao seu redor te valorizarem, seu parceiro te entender, você compreender a si mesmo e os outros confiarem em você, no seu potencial… nem sempre é fácil. Eu aprendi que a coisa mais importante é eu acreditar em mim e fazer as coisas sem esperar nada em troca.

NÃO ESPERE O DINHEIRO EM SEU DIA A DIA

Antes eu me concentrava em grandes somas de dinheiro como consequência de grandes oportunidades de trabalho que esperava com ilusão. Eu percebi que quanto mais ansiava o material, menos a vida me dava, menos me movia em direção aquele estado. Então eu aceitei de bom grado o que já tinha e que não precisava de mais para me sentir bem comigo mesmo ou ser feliz.

Eu percebi que não estava gostando e saboreando o que tinha no momento, porque só me focava no futuro, ganhando mais e mais … estava realmente perdendo o momento mais importante, o momento presente.

PARE DE ESPERAR QUE TUDO SEJA PERFEITO

Por que esperar que tudo seja perfeito?

Quando você para de esperar que tudo seja perfeito, deixa de depender do ambiente para trazer a tona o seu verdadeiro poder, serenidade e equilíbrio interior. Perfeição não existe, deixe de correr atrás dela.

“Confia no tempo, ele geralmente oferece saídas doces a amargas dificuldades.” – Miguel De Cervantes.





Para que serve uma relação?

Definição mais simples e exata sobre o sentido de mantermos uma relação?

“Uma relação tem que servir para tornar a vida dos dois mais fácil”.

Vou dar continuidade a esta afirmação porque o assunto é bom, e merece ser desenvolvido.

Algumas pessoas mantém relações para se sentirem integradas na sociedade, para provarem a si mesmas que são capazes de ser amadas, para evitar a solidão, por dinheiro ou por preguiça. Todos fadados à frustração.Uma armadilha.

Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.

Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo, enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio, sem que nenhum dos dois se incomode com isso.

Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada uma pessoa bonita a seu modo.

Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.

Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro, quando o cobertor cair.

Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.

Dr. Drauzio Varela

Nós amamos mulheres malucas

As equilibradas que me perdoem, mas maluquice é fundamental. Queremos mulheres a beira de um ataque de nervos. Mulheres que cantem bem alto o que querem e dancem sozinhas no meio da sala, girando na frente dos convidados do jantar, logo depois de pedir a eles que se retirem pois “o casal agora vai para o quarto”. Queremos mulheres que cuspam na nossa cara as inquietações, as vontades e não-vontades, a maluquice de sempre, porque mulher sem maluquice não é mulher, é um trofeu que você esquece no alto da estante.
Mulher tem que ser doida de pedra. Mulher que não enlouquece, não embarga a voz, não lacrimeja porque a quiche não ficou boa, o bolo solou, o esmalte borrou. Essa a gente prefere olhar de longe, desconfiado. Aí tem coisa muito errada. Mulher que não soluça em novela mexicana? Mulher madura, calma? Não, essa não. A gente ama é um dramalhão.
Se elas não saem do sério a gente não se sai bem no amor. A patricinha montada e sonsa nos cansa e a perfeita elegância das modelos longilínias e impecáveis nos entedia. Queremos unha quebrada. Grito assustado no meio da noite. Abraço com lágrimas de “cuida-de-mim”. Queremos dizer “não foi nada” quando elas ralarem a lanterna traseira do carro no pilar da garagem.
Quanto mais louca mais linda, mais apaixonante. A fragilidade emocional da mulher não edifica uma pseudo-superioridade masculina. Essa fragilidade pode ser o combustível da ternura, do afeto. Podemos até admirar mulheres duronas, equilibradas, constantes. Mas o que nos deixa desnorteados, patetas apaixonados, bobos mesmo, é a mulher maluca. Só a mulher maluca é capaz de fazer gato e sapato da nossa vida.
Por isso eu adoro Mabel, a personagem adorável do filme “Uma Mulher sob Influência”, de John Cassavets. Ela é só um exemplo de mulher amada intensamente por ser exatamente o que é – apaixonantemente maluca.