sexta-feira, 27 de março de 2015

Texto fantástico do blog Antônia no Divã.

Texto fantástico do blog Antônia no Divã.
"É preciso ir embora.
Ir embora é importante para que você entenda que você não é tão importante assim, que a vida segue, com ou sem você por perto. Pessoas nascem, morrem, casam, separam e resolvem os problemas que antes você acreditava só você resolver. É chocante e libertador – ninguém precisa de você pra seguir vivendo. Nem sua mãe, nem seu pai, nem seu ex-patrão, nem sua pegada, nem ninguém. Parece besteira, mas a maioria de nós tem uma noção bem distorcida da importância do próprio umbigo – novidade para quem sofre deste mal: ninguém é insubstituível ou imprescindível. Lide com isso.
É preciso ir embora.
Ir embora é importante para que você veja que você é muito importante sim! Seja por 2 minutos, seja por 2 anos, quem sente sua falta não sente menos ou mais porque você foi embora – apenas sente por mais tempo! O sentimento não muda. Algumas pessoas nunca vão esquecer do seu aniversario, você estando aqui ou na Austrália. Esse papo de “que saudades de você, vamos nos ver uma hora” é politicagem. Quem sente sua falta vai sempre sentir e agir. E não se preocupe, pois o filtro é natural. Vai ter sempre aquele seleto e especial grupo que vai terminar a frase “Que saudade de você…” com “por isso tô te mandando esse áudio”; ou “porque tá tocando a nossa música” ou “então comprei uma passagem” ou ainda “desce agora que tô passando aí”.
Então vá embora. Vá embora do trabalho que te atormenta. Daquela relação que você sabe não vai dar certo. Vá embora “da galera” que está presente quando convém. Vá embora da casa dos teus pais. Do teu país. Da sala. Vá embora. Por minutos, por anos ou pra vida. Se ausente, nem que seja pra encontrar com você mesmo. Quanto voltar – e se voltar – vai ver as coisas de outra perspectiva.
As desculpas e pré-ocupações sempre vão existir. Basta você decidir encarar as mesmas como elas realmente são – do tamanho de formigas."

Jamais Desistir

Quando as coisas não saem como queremos e nos decepcionamos diante de certas situações, não devemos deixar que a frustração tome o lugar de nosso alegria, nem nos paralise diante do ocorrido, fazendo-nos perder a fé na vida e nas pessoas. 

Se permitirmos que o desânimo adentre nossos corações e nos fecharmos em nós mesmos acabamos por nos isolar. O medo de que tal fato volte a se repetir e novo sofrimento aconteça nos coloca em posição de defesa, no entanto esse isolamento ao invés de nos proteger nos trará solidão, tristeza e dor, pois ao eliminarmos os riscos de uma possível frustração também nos privamos de novas oportunidades que talvez nos levassem a um caminho mais alegre e feliz, descartando assim toda e qualquer possibilidade de um futuro mais feliz.

É natural nos sentimos mais frágeis após uma decepção, mas é preciso se fortalecer diante do acontecido, transformando essa experiência em um degrau para o nosso crescimento e ascensão e não em um obstáculo para a nossa queda. Delimitar o tamanho dessa situação e ter consciência de sua real extensão é saber até onde essa dor pode ir e não permitir que ela se alastre mais do que deveria. Não é possível evitar a dor, mas é nossa a escolha que delimita o tamanho que esse sofrimento terá. Dilatar a extensão dessa dor não irá mudar o que já foi nem tornar mais fácil lidar com esse sentimento, ao contrário quando ampliamos o sofrimento e o alimentamos com nossa mágoa e ressentimento, apenas condenamos a nós mesmos a um sofrimento maior do que o necessário.

A decepção vem ao nosso encontro toda vez que amplificamos as nossas expectativas diante da realidade. Diariamente a vida nos dá sinais do que está acontecendo ao nosso redor, mas na maioria das vezes preferimos fechar os nossos olhos e acreditar na nossa própria versão de realidade. Não é raro acontecer que em muitas das vezes que nos frustramos se olharmos de volta no tempo poderemos identificar situações onde a vida já nos apontava que algo não estava bem, já havia sinais de que as coisas não eram exatamente do jeito que imaginávamos, mas por escolha nossa, preferimos nos fechar dentro do nosso mundo e acreditar que tudo estava perfeito, ou ainda que tudo iria se ajeitar.

Não há nada de errado em acreditar que com o tempo tudo vai melhorar, na verdade esse é o correto, acreditar, confiar que amanhã as coisas serão melhores. Só não podemos esquecer que a melhoria só vem com o trabalho, com o esforço de cada um, com a luta diária para que a melhora aconteça, para que as coisas se modifiquem e encontrem o lugar certo. Se a vida te sinaliza que algo não vai bem, cruzar os braços e dizer para si mesmo que vai melhorar não surtirá efeito, você se decepcionará duplamente, primeiro porque quando o véu da verdade cair você vai descobrir que o mundo que sonhou não existia e a segundo porque ficará frustrado com uma melhora que nunca aconteceu.

Se nos pequenos detalhes de sua vida, você é capaz de perceber que existe desarmonia, trabalhe para harmonizar isso, não se iluda de que tudo vai bem. Não se iludir é a única forma de não se frustrar. Acredite na vida, confie que a vida trabalha para te oferecer o melhor e justamente por isso te alerta para te dar a chance de tentar colocar tudo em seu lugar.

No entanto vale ressaltar que nem tudo está em nossas mãos, não temos poder sobre aquilo que depende do outro, de seus sentimentos, atitudes e boa vontade. Portanto se você fizer o seu melhor e ainda assim o outro te decepcionar, não se culpe por isso, aceite que existem coisas que simplesmente não dependem de você. E é justamente com esse tipo de situação que devemos aprender a transcender e superar. Usar a frustração e a decepção como alavanca para o nosso crescimento, como uma etapa que nos ensinou e que, apesar de dolorosa, também nos fortaleceu.

Não permita que a frustração de hoje te assombre amanhã. Use-a como experiência a seu favor se tornando mais atento aos sinais que a vida lhe envia. Confie na vida e abra-se para o novo de forma mais plena, reconhecendo as novas oportunidades que te são oferecidas para superar o passado e ser feliz no futuro.

(Maisa Baria)

quarta-feira, 25 de março de 2015

Quando as coisas não saem como queremos e nos decepcionamos diante de certas situações, não devemos deixar que a frustração tome o lugar de nosso alegria, nem nos paralise diante do ocorrido, fazendo-nos perder a fé na vida e nas pessoas.
Se permitirmos que o desânimo adentre nossos corações e nos fecharmos em nós mesmos acabamos por nos isolar. O medo de que tal fato volte a se repetir e novo sofrimento aconteça nos coloca em posição de defesa, no entanto esse isolamento ao invés de nos proteger nos trará solidão, tristeza e dor, pois ao eliminarmos os riscos de uma possível frustração também nos privamos de novas oportunidades que talvez nos levassem a um caminho mais alegre e feliz, descartando assim toda e qualquer possibilidade de um futuro mais feliz.
É natural nos sentimos mais frágeis após uma decepção, mas é preciso se fortalecer diante do acontecido, transformando essa experiência em um degrau para o nosso crescimento e ascensão e não em um obstáculo para a nossa queda. Delimitar o tamanho dessa situação e ter consciência de sua real extensão é saber até onde essa dor pode ir e não permitir que ela se alastre mais do que deveria. Não é possível evitar a dor, mas é nossa a escolha que delimita o tamanho que esse sofrimento terá. Dilatar a extensão dessa dor não irá mudar o que já foi nem tornar mais fácil lidar com esse sentimento, ao contrário quando ampliamos o sofrimento e o alimentamos com nossa mágoa e ressentimento, apenas condenamos a nós mesmos a um sofrimento maior do que o necessário.
A decepção vem ao nosso encontro toda vez que amplificamos as nossas expectativas diante da realidade. Diariamente a vida nos dá sinais do que está acontecendo ao nosso redor, mas na maioria das vezes preferimos fechar os nossos olhos e acreditar na nossa própria versão de realidade. Não é raro acontecer que em muitas das vezes que nos frustramos se olharmos de volta no tempo poderemos identificar situações onde a vida já nos apontava que algo não estava bem, já havia sinais de que as coisas não eram exatamente do jeito que imaginávamos, mas por escolha nossa, preferimos nos fechar dentro do nosso mundo e acreditar que tudo estava perfeito, ou ainda que tudo iria se ajeitar.
Não há nada de errado em acreditar que com o tempo tudo vai melhorar, na verdade esse é o correto, acreditar, confiar que amanhã as coisas serão melhores. Só não podemos esquecer que a melhoria só vem com o trabalho, com o esforço de cada um, com a luta diária para que a melhora aconteça, para que as coisas se modifiquem e encontrem o lugar certo. Se a vida te sinaliza que algo não vai bem, cruzar os braços e dizer para si mesmo que vai melhorar não surtirá efeito, você se decepcionará duplamente, primeiro porque quando o véu da verdade cair você vai descobrir que o mundo que sonhou não existia e a segundo porque ficará frustrado com uma melhora que nunca aconteceu.
Se nos pequenos detalhes de sua vida, você é capaz de perceber que existe desarmonia, trabalhe para harmonizar isso, não se iluda de que tudo vai bem. Não se iludir é a única forma de não se frustrar. Acredite na vida, confie que a vida trabalha para te oferecer o melhor e justamente por isso te alerta para te dar a chance de tentar colocar tudo em seu lugar.
No entanto vale ressaltar que nem tudo está em nossas mãos, não temos poder sobre aquilo que depende do outro, de seus sentimentos, atitudes e boa vontade. Portanto se você fizer o seu melhor e ainda assim o outro te decepcionar, não se culpe por isso, aceite que existem coisas que simplesmente não dependem de você. E é justamente com esse tipo de situação que devemos aprender a transcender e superar. Usar a frustração e a decepção como alavanca para o nosso crescimento, como uma etapa que nos ensinou e que, apesar de dolorosa, também nos fortaleceu.
Não permita que a frustração de hoje te assombre amanhã. Use-a como experiência a seu favor se tornando mais atento aos sinais que a vida lhe envia. Confie na vida e abra-se para o novo de forma mais plena, reconhecendo as novas oportunidades que te são oferecidas para superar o passado e ser feliz no futuro.
(Maisa Baria)

Mulher Trilheira

Elas são desapegadas!

São totalmente desapegadas e não se importam com bens materiais! Quanto mais simples melhor e com certeza elas só querem o necessário. Elas ostentam a simplicidade!

Bem humoradas

Gargalhadas e gargalhadas são comuns em volta dessas mulheres! Sempre com um espírito sarreiro e sempre a disposição de te sacanear a qualquer momento! São aquele tipo de pessoa que esbanja alegria e energia positiva! Elas são MALUCAS!

Totalmente Independentes

Elas não dependem de absolutamente nada para realizar suas vontades e não medem esforços para conquistar todos os seus sonhos, principalmente suas viagens! Elas são GUERREIRAS!

Elas são autênticas!

Elas não seguem os padrões da sociedade! Sempre diferentes em todos os aspectos, na forma de vestir, de falar, de ser e principalmente de viver.

Elas sempre trazem novidades

Com sede de conhecimento e evolução são pessoas que pesquisam e estudam qualquer assunto do seu interesse. Trazendo sempre um assunto ou ensinamento que sempre soma no na vida da galera.

Não perdem tempo com besteira

Novela, roupa, moda, estilo, fofocas e todos esses mimimis são de total desconhecimento por parte delas.

Elas vivem mais, MUITO MAIS!

Por não perder tempo com todas essas besteiras, elas vivem mais, crescem mais e evoluem mais! Utilizando o seu tempo com uma coisas úteis!

Elas são apaixonadas pela natureza!

Para muitos elas são chatas ou extremistas! Mas tem coisa mais linda do que pessoas que realmente se importam com o meio ambiente e com outros seres vivos? Não existe amor mais puro do que esse amor pela natureza! Elas são extremas sim! Extremamente apaixonadas pela VIDA!

A mulher trilheira é naturalmente LINDA

Como pode né? A mulher trilheira não usa maquiagem, não usa salto alto, não usa aquele vestidinho curto e todos apetrechos que a rapaziada pira. E mesmo assim tem milhões de “urubus” em cima delas, querendo se aproximar com uma segunda intenção!
Porque acima de todos os padrões de beleza da sociedade essas mulheres são tão diferenciadas que naturalmente elas tornam-se as mulheres mais lindas e atraentes do planeta!

Elas tem amor ao próximo!

Apesar de serem quase 100% contra o sistema e ficar revoltadas em várias situações a mulher trilheira tem um coração de ouro! Ela se preocupa e esta sempre disposta a ajudar qualquer ser vivo em qualquer situação!

ELAS SÃO PARCEIRAS!

Elas são aquele tipo de pessoa que fica do seu lado em QUALQUER situação. Sabe aquele irmão que você pode contar a qualquer momento da sua vida que ele fará absolutamente tudo para te ajudar! São do tipo que moveriam o MUNDO para fazer você sorrir em um momento tristeza!

Elas tem caráter e personalidade forte!

Elas possuem uma posição e opinião formada para quase todos os assuntos polêmicos e interessantes. Como vida após a morte, energia, de como o sistema que vivemos manipula a gente, religiões e vários outros assuntos malucos!
Essas mulheres são fantásticas e elas existem sim e estão soltas por ai! Vivendo a vida intensamente em busca de alegria e felicidade!
A família Cocô no Mato dedica essa publicação para todas as mulheres livres, independentes e principalmente felizes que existem nesse mundo!
DANE-SE OS PADRÕES DA SOCIEDADE!!!!! VOCÊS SÃO AS MELHORES!


sexta-feira, 20 de março de 2015

Superando O Medo


A vida exige de nós – o tempo todo – uma grande capacidade de adaptação.
Aqueles que temem a mudança e a perda de uma situação confortável, onde tudo já é conhecido, são os que mais sofrem sempre que um novo desafio é apresentado pela existência.
A cada momento podemos ser surpreendidos por novas situações e circunstâncias e se não estivermos conscientes desta realidade, as mudanças sempre nos trarão ansiedade e medo.
Temos a tendência natural de evitar os imprevistos, como se eles sempre significassem uma ameaça. A melhor forma de nos libertarmos do medo é aceitar as mudanças como oportunidades de crescimento em nossa jornada evolutiva.
Visto que nossa passagem por este planeta tem uma curta duração, devemos aproveitar, a cada dia, a chance de superar a nós mesmos e nossas limitações, e experimentar a alegria da vitória sobre a negatividade da mente, sempre que ela tentar nos dominar.
Quando um novo desafio surgir e o medo se fizer presente, que possamos, apesar dele, seguir em frente com confiança e a certeza de que a vitória sobre o desconhecido e a insegurança trazem como resultado uma imensa alegria.
“A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz cor, que significa coração. Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas e janelas fechadas, eles se escondem.
O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos.
A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta. O coração nunca calcula nada.
Coragem significa enfrentar o desconhecido apesar de todos os medos. Coragem não significa ausência de medo. A ausência de medo acontece se você passa a ser cada vez mais corajoso. Essa é a experiência máxima de coragem – a ausência de medo.
Enfrentar o desconhecido dá a você certa excitação. O coração começa a pulsar novamente, volta a se sentir vivo, totalmente vivo. Cada fibra do seu ser está vibrando porque você aceitou o desafio do desconhecido.
Aceitar o desafio do desconhecido, apesar de todo o medo, é coragem. Os medos estão ali, mas se você aceita o desafio várias vezes seguidas, devagarinho os medos desaparecem. A experiência de alegria que o desconhecido traz, o grande êxtase que começa a acontecer com o desconhecido, torna você forte o bastante, lhe dá certa integridade, aguça sua inteligência.
Basicamente coragem é pôr em risco o conhecido em favor do desconhecido, o familiar em favor do estranho, o confortável em favor do desconfortável. Nunca se sabe se você será capaz de fazer isso ou não. É um jogo arriscado, mas só os jogadores sabem o que é a vida”.
Osho, do livro: “Coragem, o prazer de viver perigosamente”



"Todos vamos envelhecer...
 Querendo ou não, iremos todos envelhecer. 
As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar.
 A imagem no espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos.
 A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos.
 O segredo não é reformar por fora.
 É, acima de tudo, renovar a mobília interior: tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente. Porque o tempo, invariavelmente, irá corroer o exterior.
 E, quando ocorrer, o alicerce precisa estar forte para suportar. 
Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história. 
Que usa a espontaneidade pra ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos. 
Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios.
 Erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo. 
Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores.
 Aprenda: bisturi algum vai dar conta do buraco de uma alma negligenciada anos a fio."

Texto do livro "Erótica é a Alma". 


Adélia Prado

terça-feira, 17 de março de 2015

A caligrafia da chuva

Quando chove , diz-se; e hoje choveu bastante. Cá dentro reverbera o murmúrio da chuva; seus traços oblíquos e líquidos, o seu falar intermitente. É pois o fio da sua úmida caligrafia, o redesenhar do destino a cada badalada do seu sino. A metamorfose, o renovar, o vivificar; é tudo quanto se espera depois da chuva preencher o chão com a sua escrita.
A chuva representa em muito a esperança, seja de uma boa colheita ou de uma sementeira promissora. As pessoas campestres – como eu – gostam da chuva, para além de atenuar o calor que por aqui se faz e umedecer a relva para os pastos, a chuva é por si só um sinal, um símbolo de fertilidade e de fartura. Um sentimento de alívio ressoa sempre que chove: haverá, de certeza, água para um, dois ou três dias, e os banhos não mais serão austeros, e as flores envoltas ao quintal libertar-se-ão da esquálida magreza imposta pelos fulminantes raios do sol.
A chuva só deixa de ser boa quando inunda tudo em volta, quando chove torrencialmente ou quando faz transbordar os rios, deslizando a terra ou quando arrasa os vales, derruba as pontes e viadutos. Aí sim, causa tristeza e torna-se um bem desnecessário! Aliás, diz o ditado que tudo em excesso faz mal.
Há vezes que ocorre cruzarmo-nos com um parente ou um amigo que o tempo há tanto nos separara e dizemos convictos “hoje vai chover”, porém não é a chuva – fenómeno físico ou natural – que esperamos mas queremos apenas enfatizar o encontro, o seu lado “miraculoso”.
Conota-se com isso a falta da chuva, a saudade, a secura que é isso, e traduzimos, portanto, na falta que esse parente ou amigo nos faz.
Hoje choveu muito, eu dizia, e um cinzento esbateu-se por dentro, tão baço quanto era o próprio dia. Quanto era, digo, porque, súbito, o telefone tocou:
– Alô, quem fala?
E uma lâmpada acendeu a vela memorial de tempos idos, tempo antigo, em que o amor tinha outro sabor.
Fosforesceu o dia em mim, e de repente uma vontade de me molhar, de dançar à chuva.
A chuva fez tanto sentido e, enquanto pingava, era como se o fizesse no teto do meu coração. Uma pessoa que eu tanto quero bem sem saber que a mim ela quisesse também, ligou-me e isso era tudo o que faltava para o meu dia explodir de beleza, nesses dias que só a nostalgia e velhas lembranças dão sentido ao meu viver.
Álvaro Taruma, escritor moçambicano