domingo, 9 de abril de 2017

O FALSO CONFORTO DA MEDIOCRIDADE

Por Ana Macarini
A despeito de nossa aparência exterior, que pode ou não concordar com a nossa essência, expelimos por cada um de nossos poros o veneno ou o antídoto que brota do núcleo de nossa personalidade original. Somos o que somos; não importa o que façamos para disfarçar. É no descuido que somos honestos. É na falta de ensaio que acabamos apresentando o nosso real e legítimo espetáculo. E, com o passar do tempo, conforme vamos nos apropriando das situações, pessoas e cenários, vamos nos esquecendo de vestir os figurinos, vamos ficando relaxados, acomodados na falsa impressão de que já temos um lugar garantido nesse mundo.
Vagando eternamente num mar de calmaria e águas mornas, podemos nos acostumar facilmente ao confortável abraço da mediocridade. Existe uma aparente segurança nesse lugar, a salvo das agruras que circulam os extremos. Pode nos parecer normal tornarmo-nos imperceptíveis, transparentes, invisíveis. É uma espécie de paz que se encontra nesse ponto da curva, sem o ardor da ambição e sem o peso de sustentar a atitude ética, sempre tão exigente em nossas mínimas decisões.
A mediocridade é um tipo de droga socialmente aceita. Entorpece, amolece, destempera. Sem que nos demos conta, surpreendemos nossa imagem numa superfície polida qualquer a nos sorrir de volta. Um sorriso estampado, esculpido, congelado. É até melhor que nem pensemos muito a respeito, pois se por uma ousadia qualquer decidimos querer lembrar o porquê sorrimos, corremos o risco de não achar motivo ou explicação.
Corremos o risco de não saber sorrir diferente daquela representação de nós mesmos no espelho. O sorriso pronto e fácil é conquista de uma vida medíocre. Os medíocres não têm pelo que chorar; não há perdas. Nunca haverá o que perder para uma vida pautada no empate.
Nos inúmeros caminhos da vida cruzamos com faces impecavelmente lisas e ausentes de marcas. São as faces sem rosto de pessoas pasteurizadas. São as pessoas pasteurizadas que já vêm com rótulo de ingredientes e sugestões de uso. Pessoas “bem-sucedidas”, cujo sucesso se relaciona ao próximo carro que precisa ser mais caro do que o atual; cuja alegria se mede pelas coisas que hoje podem ser compradas com o resultado do seu sucesso. E corremos o enorme risco de acreditar que é isso o certo, que ser feliz é isso. Corremos o perigo de vender o brilho nos olhos pra comprar a reluzente ostentação de uma vida cheia de “conquistas”. Corremos o perigo de vender a emoção que tira o fôlego pra comprar uma janela de frente pro mar. Tomara que a gente nunca se esqueça de que ter a janela, não nos dá a posse do mar. E de que para ver o mar não precisamos possuir nenhuma janela.
A nossa trajetória nessa vida tão errante e incerta precisa estar fincada em valores que não sejam perecíveis, precisa ser construída sobre algo que nos mova e que faça de nós pessoas reais, necessárias.
A nossa trajetória precisa ser fiel a alguma coisa que exista lá fora, mas que tenha nascido dentro de cada um de nós. O que nos orienta precisa ter a ambição de gerar felicidade além da nossa. O que nos move precisa nascer de uma missão assumida para o bem de todos os que nos cercam, sejam de perto ou de longe, nesse imenso mundo.
Sejamos, então, caprichosos em nossos mínimos gestos, atitudes e ideais. Façamos de nosso ofício a nossa fonte de alegria. Escolhamos para viver uma vida plena. Sejamos corajosos para escapar das armadilhas douradas que podem nos transformar em pessoas ansiosas pelo fim; o fim do dia, o fim do mês, o fim do ano. Acreditemos na nossa capacidade de construir coisas valiosas pelo bem que elas encerram e não pelos bens que elas possam nos proporcionar. Façamos cada uma de nossas escolhas de acordo com a crença de uma existência que vale cada instante de vida. Porque viver sem riscos, sem comprometimento e sem entrega pode até ser menos arriscado, mas é também a maneira mais eficiente de tornar pequena uma vida que já é curta demais para o tanto que esse mundo precisa de nós.



Desconfie de quem nunca sai do sério

“ALGUNS NUNCA ENLOUQUECEM. QUE VIDA DE MERDA ELES DEVEM LEVAR”
– CHARLES BUKOWSKI
Não é preciso ter formação em Psicologia para saber que todos temos nossos momentos de desequilíbrio, seja sozinhos ou na frente de quem for, quando explodimos incontrolavelmente, soltando o verbo. Por mais que seja necessário evitar destemperos em frente a quem não tem nada a ver com isso, existem momentos em que nada mais é capaz de conter tudo aquilo que precisa sair de dentro de nós.
É fato que devemos sempre tentar manter a calma diante das atribulações, não descontando nossos problemas nos outros, rindo de nós mesmos, porém, muitas vezes nos vemos em meio a situações que nos testam os limites da paciência de uma forma tão intensa, que qualquer resquício de racionalidade acaba caindo por terra. Cada um se desequilibra com mais ou menos intensidade, mas todos – ou quase isso – iremos explodir, mais dia, menos dia.
Parece que os rumos que as sociedades vêm tomando contribuem ainda mais com o desequilíbrio emocional de todos. Assistimos, de tempos para cá, à crescente intolerância para com o diferente, à sobrevivência do racismo, à cultura do status, do egoísmo, ao esvaziamento ideológico, à corrupção que cresce junto com a crise financeira. Assistirmos ao noticiários tornou-se um exercício de paciência, diante de tantas injustiças e misérias contidas em cada reportagem.
No plano da convivência social, está cada vez mais difícil às pessoas manter o respeito e o entendimento, para um convívio harmônico. Isso, em grande parte, é consequência dessa dificuldade de muitos em aceitar que nem todo mundo vai agir conforme querem, pois as verdades de cada um são de cada um e não da maioria, tampouco podem ser tidas como absolutas. E então a elevação da voz e a agressividade substituem a argumentação ponderada.
No entanto, mesmo que não seja o desejável, existirão momentos em que teremos de deixar extravasar, gritar, enfrentar o outro, chutar o balde, dizendo o que está entalado na garganta, doa a quem doer. Muitas pessoas não têm senso de limite e teremos de deixar bem claro a elas qual é o nosso. Por essa razão é que causa estranhamento encontrarmos alguém que nunca sai do sério, nunca se desequilibra, nunca eleva a voz, mesmo em meio a uma discussão acalorada. Uma pessoa tão fleumática, em toda e qualquer situação, acaba passando a imagem de alguém sem sentimentos e frio, embora isso nem sempre corresponda à realidade.
Por isso, quando necessário, dê-se a oportunidade de gritar por seus limites, de bradar pelos seus direitos, de externar seu descontentamento com veemência, de indignar-se contra atitudes aviltantes, de lutar por suas verdades, pois, às vezes, é só assim que espantamos de nossas vidas tudo aquilo que nos faz mal. Às vezes, é só assim que não nos sufocamos por dentro e respiramos aliviados enquanto caminhamos rumo à realização de nossos sonhos.


sábado, 8 de abril de 2017

Por Arnaldo Jabor

Meus amigos separados não cansam de perguntar como consegui ficar casado 30 anos com a mesma mulher. As mulheres sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo. Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo. Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue:
Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade já estou em meu terceiro casamento – a única diferença é que casei três vezes com a mesma mulher.
Minha esposa, se não me engano está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes que eu. O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher.
O segredo no fundo é renovar o casamento e não procurar um casamento novo. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal.
De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, seduzir e ser seduzido. Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como se seu par fosse um pretendente em potencial?
Há quanto tempo não fazem uma lua-de-mel, sem os filhos eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção?
Sem falar dos inúmeros quilos que se acrescentaram a você depois do casamento. Mulher e marido que se separam perdem 10 kg em um único mês, por que vocês não podem conseguir o mesmo?
Faça de conta que você está de caso novo. Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a freqüentar lugares novos e desconhecidos, mudaria de casa ou apartamento, trocaria seu guarda-roupa, os discos, o corte de cabelo, a maquiagem. Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe de seu cônjuge.
Vamos ser honestos: ninguém agüenta a mesma mulher ou o mesmo marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas. Muitas vezes não é a sua esposa que está ficando chata e mofada, é você, são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração.
Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação. Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, um novo bairro, um novo circuito de amigos.
Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso. Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar. Isso obviamente custa caro e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento.
Mas se você se separar, sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior.
Não existe essa tal “estabilidade do casamento” nem ela deveria ser almejada. O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos.
A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma “relação estável”, mas saber mudar junto. Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensado em fazer no inicio do casamento. Você faz isso constantemente no trabalho, porque não fazer na própria família?
É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo. Portanto descubra a nova mulher ou o novo homem que vive ao seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo interessante par. Tenho certeza que seus filhos os respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças. Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso de vez em quando é necessário se casar de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par.
Como vê, NÃO EXISTE MÁGICA – EXISTE COMPROMISSO, COMPROMETIMENTO E TRABALHO – é isso que salva casamentos e famílias.


Viva o hoje porque daqui a pouco pode ser tarde demais

Nascer, crescer, envelhecer e morrer.
Viver ou existir ?
Seguimos o calendário, contando os dias, meses e anos. Corremos contra o tempo, em uma fila invisível que termina no dia de nossa morte.
O nosso destino é único e irreversível, e ainda assim não vivemos o hoje porque estamos preocupados com o amanhã, ou nos lamentando pelo ontem.
Queremos pessoas boas a nossa volta, porém nem sempre somos bons quando temos a chance de ser presença na vida de alguém.
Queremos ser amados mas muitas vezes não somos amáveis.
Queremos a paz mundial mas não conseguimos nem manter a paz com os nossos vizinhos.
Queremos tudo da vida, mas nem sempre estamos dispostos a abrir mão de alguma coisa para poder realmente viver.
Queremos acabar com a fome no mundo, mas muitas vezes olhamos mendigos com nojo e desprezo, e pouco entendemos sobre o que é realmente caridade.
Queremos o fim da corrupção, mas furamos a fila, e muitos fazem qualquer coisa para se beneficiar, mesmo que isso signifique prejudicar outra pessoa.
Batemos no peito para impor nosso desejo de sermos respeitados, mas não oferecemos nosso assento para gestantes, idosos ou pessoas debilitadas.
Torcemos o nariz para moradores de rua, temos medo, achando que todos são bandidos, alguns infelizmente ainda julgam os irmãos quem tem a cor da pele diferente da deles.
Condenamos as escolhas alheias como se fossemos Deus, mas somos os primeiros a gritar nas passeatas pedindo pelo fim do preconceito, do racismo, e da desigualdade .
A vida é uma contradição, sim, e a única coisa que podemos fazer é torná-la o mais bonita possível, fazer nossa parte sempre, dar nosso melhor todos os dias, e acima de tudo, viver ao invés de só existir.
Se tivesse a oportunidade de falar com a morte antes de ser a sua hora de morrer, talvez assim como no filme, ela te diria, para não esquecer de ver a beleza oculta, para não se perder nas distrações do caminho que te impedem de ser feliz, por isso viva o hoje, hoje e agora, porque daqui a pouco pode ser tarde demais.



quinta-feira, 23 de março de 2017

A felicidade realista

De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda  mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. 
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário,queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par e não como pares? Ter um parceiro constante, não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo a expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como  um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro oque nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.
[ Martha Medeiros ]

sexta-feira, 17 de março de 2017

Eu gosto de pessoas vivíveis!

Eu gosto de gente que tem por costume falar o que sente, mesmo quando não é o melhor sentimento do mundo.
Eu gosto desse tipo de pessoa que a gente se sente totalmente à vontade em 15 minutos de conversa, que ri alto, que tem aquele sorriso expansivo, contagiante. Eu me amarro em gente que diz que vem e vem.
Que demonstra que quer ficar. Que demonstra seus medos e que apesar de ser cheia de defeitos expõe como cartas abertas da mesa.
Eu não tenho problema com quem altera seu tom de voz, com quem perde a calma vez ou outra ou quem acaba falando por demais. Meu medo é dos que falam de menos. Dos sorrisos contidos; Dos gestos premeditados; Dos olhos atentos.
Fujo com certa rapidez de quem fala muito manso e ri pra tudo e concorda o tempo inteiro, até mesmo porque, pra mim, quem ri o tempo todo nada tem de bem humorado, ou é louca da cabeça ou alienado, e seja qual for das opções, não me agrada.
Eu gosto dos malucos sim. Mas dos malucos beleza! Dos impulsivos, explosivos, e impetuosos pois por mais contraditório que pareça, esses sim, pra mim, são os de alma limpa e coração puro. Ingenuidade genuína, talvez. Até uma certa fraqueza…
Eu gosto de gente com quem eu possa fazer planos! Que não tem esse lance de anotar na agenda. Eu gosto da ideia de sonhar coisas possíveis, de marcar um encontro no meio da semana ou uma viagem pra daqui a 1 ano e meio, mesmo que seja só empolgação de momento, eu gosto de quem permite empolgar-me.
Detesto que me coloquem freios – que eu não tenho. Detesto que tentem diminuir o meu tom. Eu gosto de quem se garante, quem taí pra arriscar, isso pra mim vale mais que toda beleza e grana.
Conheço gente que não entra no mar pra não estragar o cabelo; Que não come pizza pra não engordar; Que aprendeu francês só pra dizer que sabe. Esses, não me instigam em nada!
Pelo amor de Deus, a vida é muito curta para não se comer pizza!! Para não andar com as janelas abertas! Para não se perder de bicicleta, para na chuva não se molhar!
Eu gosto de pessoas vivíveis; Que se permitem amar, sonhar, quebrar a cara e tentar. Gosto de gente que ajoelha pra rezar, que se comove com um cãozinho na rua, que planeja o próximo jantar.
Gosto de gente acessível! Desse tipo que se permite ser visitado, sem aviso prévio, que faz festa com pouco, que permite alterações na rotina sem entrar em desespero, que topa uma surpresa sem questionar.
Gosto de gente namorável, que se baseia apenas no que sente e esquece o resto. Gosto de gente mutável; maleável; apalpável na escada ou no elevador; beijável da nuca aos pés; agarrável dentro de automóveis! Viajáveis num fim de semana qualquer.
A dualidade humana não me amedronta, o que me tira do sério é seriedade em excesso; Meu pai já dizia que a pior repressão é a interior, e os Menudos já bem cantavam que não devemos nos reprimir! E é isso aí!
Passo longe dos que não se permitem as mudanças inevitáveis desta vida, aos que se forçam a cumprir metas traçadas á 10 anos atrás, aos tiranos pessoais, que se podam ao menor sinal de um possível amor.
Que se retiram quando o papo pega fogo, que negam FOGO e opinião. Desses que fazem tipo, que se perdem no próprio jogo; Os colecionadores de “não”.
Entregue-se! Entregue-se para si mesmo em primeiro lugar, ceda aos teus caprichos! Depois para a vida; Para aquele teu amor abafado do colegial, aquela tua ex namorada que te faz perder o rumo;Entregue-se aos pequenos prazeres de se estar vivo. A única coisa que você tem a perder é a chance de ter vivido e fabricado boas lembranças.
Gaste teu cartão de crédito guardado para uma emergência, se preciso, porque IR, RIR E VIR são emergências, urgentíssimas! E de vez em quando, deixe uma conta acumular…ás vezes a gente tem mesmo que escolher entre pagar uma conta ou curtir um pouco e a conta pode esperar, mas as boas oportunidades, ás vezes, nunca mais voltam.
Esteja disponível; Seja VIVÍVEL! A vida é AGORA!



quinta-feira, 9 de março de 2017

Diga-me como você se exibe e eu lhe direi qual é o seu vazio!

Quais são as formas que expressamos nossos vazios? Existe um motivo para o exibicionismo físico? Ou para a exibição daquilo que se tem em bens materiais? A exibição exagerada de dotes intelectuais? De sociabilidade? De excesso de simpatia? Ou ainda de “sex appeal”?
Tudo na vida segue em busca de equilíbrio. E assim, para se analisar uma pessoa ou situação, basta perceber se há equilíbrio em todas as partes que compõe este alguém ou momento.
O simples fato de uma pessoa precisar se exibir já demonstra falta de equilíbrio. Quando alguém está inteiro e balanceado, não possui necessidade de aparecer. O mesmo acontece como consequência e de forma natural, na intensidade que tem de ser.
Chegamos todos nesta vida sem manual de instrução sobre como seguir em frente. Passamos esta trajetória em busca de nós mesmos e de respostas que permeiam nossa consciência do início ao fim. Entre um momento e outro, extravasamos nossas dúvidas e faltas de respostas de inúmeras formas. Muitas que doem e nos marcam profundamente.
É na infância que construímos os nossos valores, crenças e princípios. E toda falta de amor, compreensão e qualquer dificuldade que se tenha tido nesta fase, irá se manifestar mais tarde, quando jovens ou adultos. Muitas vezes passa-se a vida na busca pela compensação de um fato do passado, sem sucesso ou sem qualquer consciência disso.
A busca desenfreada pelo amor de alguém, por exemplo, que acaba refletindo em diversos relacionamentos, um atrás do outro, ou em vários ao mesmo tempo, deixa clara a falta de afeto na infância. Uma mágoa em relação ao pai ou à mãe, ainda que inconsciente, faz com que o ser humano se sinta tão profundamente só, que o mesmo se perde na busca pela compensação de amor num parceiro ou parceira. Como nada, nem ninguém substitui este amor, a busca torna-se infinita e mal sucedida.
Todo excesso de nós mesmos ou de algumas de nossas características vem demonstrar uma falta de equilíbrio. Assim como a necessidade de exibição dessas características.
A exibição e ostentação de dinheiro mostra uma ausência de valores amorosos. Assim como a exibição e humilhação através da posse de dotes intelectuais, mostra a necessidade de subjugar o outro, compensando uma provável subjugação do passado.
O excesso de sociabilidade, escancarando a necessidade de ser aceito, quando de forma inconsciente não há a aceitação por parte de si mesmo. E daí por diante.
Toda falta gera em nós um vazio, que em nós permanece de forma inconsciente, e na maioria das vezes por muito tempo. Anos a fio. É pelo despertar de consciência, pelo auto-conhecimento, o se olhar para dentro, que nos permite finalmente preencher esses “buracos” de forma adequada.
Não mudamos a história de nosso passado, mas somos capazes de mudar o que sentimos ao lembrar de nossas histórias. Transformamos nossas mágoas e dores em compreensão e aceitação. A partir daí, toda e qualquer necessidade de se sobressair desaparece.
Uma vez donos de nós mesmos, não importa o que o mundo pensa ou o que o mundo fala. Só importa a paz finalmente encontrada no melhor lugar possível: em si mesmo!