quinta-feira, 21 de julho de 2016

Uma vez pipoca, nunca mais milho duro!

Mudar é passar para outro estado, outro lugar, outro foco.
Tem gente que muda espontaneamente, sem sofrimento nem dor, delicadamente, como a passagem do sol pelo dia. Tem gente que enxerga vantagem em não ser a mesma pessoa todos os dias, que se transforma sem dramas, inspira os demais, vive a real liberdade que transcende os rótulos e aprovações. Essa gente é pipoca fresquinha, cheirosa, que a gente fica com vontade de encher as mãos e saborear.
Tem gente que não espera o apito final, que aproveita as chances e se joga, se veste com outras ideias e outros cenários. Gente que não teme aquela olhada para trás, não deixa que o saudosismo engesse as pernas e segue em frente, sorvendo e digerindo as transformações. Essa gente é pipoca das boas, que estoura enorme e inspira os milhos indecisos.
Mas tem gente que luta e reluta, que só vê cansaço e trabalho na mudança, que sofre e se contorce quando a vida convida aos novos desafios. Gente que se jogaria debaixo do sofá para esperar a transformação passar. Que não ousa mudar nem mesmo o lado para onde cai o cabelo. Que acredita em azar, torce para que nenhuma surpresa abale a rotina, nenhuma notícia mova as coisas do lugar.
Essa gente é milho duro que resiste, vai se deixando ir para o fundo do saco, se escondendo, fingindo ser até mesmo feijão, para não se deixar cair no panelão da vida. Esse panelão que sacode tudo o tempo todo e exige o máximo de resistência, flexibilidade e, muitas vezes, união de quem está dentro, para não desandar.
Os milhos duros não percebem quando já estão mudando de cor, ficando ásperos e sem sabor. Acreditam que a metamorfose da panela é mais dolorosa do que a fuga das mudanças. Observam os ímpetos dos corajosos e torcem silenciosamente para que nada dê certo, para que algo comprove suas teorias, e confirme que seus temores fazem sentido.
Os milhos duros não sabem que as mudanças os conectam com o tempo, os colocam em sintonia com as evoluções e transformação. Se isso soubessem, não hesitariam.
Na agonia de se preservarem e não se alterarem, desprezaram as habilidades de adaptação e progresso.
Para ser milho duro é preciso resistir, mas, para virar pipoca, basta se jogar!
E uma vez pipoca, nunca mais milho duro.


quinta-feira, 14 de julho de 2016

Para que serve uma relação?

Definição mais simples e exata sobre o sentido de mantermos uma relação?

“Uma relação tem que servir para tornar a vida dos dois mais fácil”.

Vou dar continuidade a esta afirmação porque o assunto é bom, e merece ser desenvolvido.

Algumas pessoas mantém relações para se sentirem integradas na sociedade, para provarem a si mesmas que são capazes de ser amadas, para evitar a solidão, por dinheiro ou por preguiça. Todos fadados à frustração.Uma armadilha.

Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.

Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo, enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio, sem que nenhum dos dois se incomode com isso.

Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada uma pessoa bonita a seu modo.

Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.

Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro, quando o cobertor cair.

Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.

Dr. Drauzio Varela

terça-feira, 12 de julho de 2016

Eu não ajudo minha mulher eu vivo aqui

Exatamente isso! Parceria!

Um amigo veio a minha casa tomar café, sentamo-nos e conversamos, falando sobre a vida… “Vou num instante lavar os pratos que ficaram por lavar”, eu lhe disse.
Ele olhou para mim como se eu lhe tivesse dito que ia construir uma nave espacial. Então ele me disse, com admiração, mas um pouco perplexo: “Ainda bem que você ajuda a sua mulher, quando eu o faço a minha mulher não elogia. Ainda na semana passada lavei o chão e nem um obrigada.”
Voltei a sentar-me com ele e lhe expliquei que eu não ajudo a minha mulher. Como regra, a minha mulher não necessita de ajuda, ela tem necessidade de um sócio. Eu sou um sócio em casa e por via dessa sociedade as tarefas são divididas, mas não se trata certamente de um apoio à casa.
Eu não ajudo a minha mulher a limpar a casa porque eu também vivo aqui e é necessário que eu também limpe.
Eu não ajudo a minha mulher a cozinhar porque eu também quero comer e é necessário que eu também cozinhe. Eu não ajudo a minha mulher a lavar os pratos depois da refeição porque eu também usei esses pratos. Eu não ajudo a minha mulher com os filhos porque eles também são meus filhos e a minha função é ser pai. Eu não ajudo a minha mulher a estender ou a dobrar a roupa, porque também é roupa minha e dos meus filhos.
Eu não sou uma ajuda em casa, sou parte da casa. E no que diz respeito a elogiar, perguntei ao meu amigo quando é que foi a última vez que, depois da sua mulher acabar de limpar a casa, tratar da roupa, mudar os lençóis da cama, dar banho aos filhos, cozinhar, organizar, etc., ele lhe tinha dito obrigado?
Mas um obrigado do tipo: “wow!!! Mulher minha! Você é fantástica!!!”. Está te parecendo absurdo? Está te parecendo estranho? Quando você, uma vez na vida, limpou o chão, você esperava no mínimo um prêmio de excelência com muita glória… Porquê? Nunca pensou nisso, amigo?
Talvez porque você tem como certo e garantido que tudo seja tarefa dela? Talvez você se tenha habituado a que tudo isso seja feito sem que você tenha de mexer um dedo? Então elogie a sua companheira como você queria ser elogiado, da mesma forma, com a mesma intensidade. E além disso dá uma mão, se comporte como um verdadeiro companheiro, não como um hóspede que só vem comer, dormir, tomar banho… Sinta-se em casa. Na sua casa.
Eu não ajudo minha mulher eu vivo aqui.



Um homem visto por uma mulher

Homens precisam passar segurança. Mas não precisa ser forte ou algo assim. Pode ser baixinho, gordinho e com pouco talento em artes marciais. Mas precisa passar segurança ao entrelaçar os dedos na gente como se ali gritasse que tudo vai dar certo. Homens precisam ter um colo paterno, mas saber que não são nossos pais. Homem é um misto de irmão mais velho ciumento, irmão mais novo implicante e primo safado da cidade grande.
Homens têm que chegar no horário e esperar sem reclamar. Esqueça aquela ideia de que mulheres se vestem para outras mulheres olharem. Na verdade, eu demoro horas me arrumando exclusivamente para você. A ideia é que você não olhe para outras mulheres. Homem tem que andar do lado de fora da calçada e nos levar em casa sempre. Seja de carro, moto, ônibus, táxi ou a pé. Mas é importante nos levar no portão, assim, por tradição clichê, sabe? As mulheres evoluíram, eu sei. Mas o cavalheirismo não saiu da moda não. E pelo que ando lendo por aí, nunca sairá.
E não confunda cavalheirismo com homossexualidade. Há vários gays mal educados, também. Educação nada tem a ver com orientação sexual. Então, se você abrir a porta do carro, pedir para carregar os pesos e ceder o assento para qualquer mulher ou idoso não te faz um gay assumido. Isso é burrice. Homem tem que ter pegada. Mas não achar que pegada significa arrancar tufos do meu cabelo. Tem que saber apertar meu rabo de cavalo sem tirar nenhum fio dali. Vai por mim, homens que machucam demais na hora da transa não são excelentes bons de cama. Homem tem que ser atencioso, seja para perceber que cortamos dois dedos do cabelo ou para distinguir nossos gemidos de “tente mais um pouco” e de “não para, por favor”.
Não me dê flores, chocolates, ursinhos de pelúcias ou etc. Me dê cartões. Escreva coisas estúpidas e bobas que me farão rir como uma criança. Depois disso, compre flores, chocolates e ursinhos. Você pode me dar um helicóptero todo rosa pink, com minhas iniciais na porta, mas se não tiver um cartãozinho surpresa com teus garranchos, não será a mesma coisa, entende?
Homens não precisam ser um Fred Astaire, mas é importante nos tirar para dançar. Não pela dança, em si, mas pelo ato de nos carregar pela mão pelo salão. Nos exibir por aí como sua maior conquista. Homens que nos amam são ótimos. Mas, melhores ainda são os que têm orgulho de nos amar. Eu não gosto de futebol, mas se você quiser me levar para assistir ao jogo com seus amigos, eu vou gostar, entende? É como te levar para almoçar na casa dos meus avós. Pouco me importa a comida ou algo assim, o que eu quero é te aproximar da minha família e te mostrar aos meus parentes.
Os homens quem leem são mais interessantes. E ser interessante vale mais do que olhos azuis e peitoral malhado. Não seja um chato replicador de frases do Caio Fernando Abreu ou coisa assim. Mas saiba declamar Fernando Pessoa ao pé do meu ouvido como se você mesmo tivesse escrito aqueles versos pensando em mim. É como não saber cantar, mas esforçar-se para cantar aquele refrão bonito dos Los Hermanos e dizer que lembra de mim toda vez que ouve, sabe?
Surpresa sempre são bem-vindas. Seja por um cartão bonitinho ou por aquela trufa de marula que você sabe que sou apaixonada. Entenda que presentes não são o preço que custaram. Como próprio nome já diz, presentes são para fazer presença. Então, cada vez mais que eu fizer presença em tua vida, saberei que faço parte dos teus dias, também.
Em dias nublados, homens têm que sair com casacos mesmo que não esteja sentindo frio. Hormonalmente, mulheres sentem mais frios do que os homens, então o seu casaco extra será importante nesses momentos. Mas não se esqueça de nos abraçar, também. Melhor do que casaco de lã é par de braços perfumados.
Homens precisam ser simpáticos. Mas nada de muito sorrisinho para qualquer vadiazinha em rede social. Nem solícito demais a ex-namoradas. Ter ciúmes é legal. Mas nada em exagero. Implique com meus decotes ou com meus vestidos curtos. Mas como quem cuida, não como quem ordena.
Sorria dos meus ciúmes, mas sem deboche. E me faça sorrir, também. Homens precisam saber nos fazer sorrir – mesmo que não sejam exímios contadores de piada. Mas é de extrema importância nos fazer sorrir. Seja por cócegas, por caretas, por se sujar ao lavar a louça ou por comprar o box de The Big Theory. Mas me faça sorrir. Entendam que a porta do coração das mulheres está nas gargalhadas que ela dá ao seu lado.


quinta-feira, 7 de julho de 2016

A vida é muito curta para ser pequena

Cuidado, a vida é muito curta para ser pequena. É preciso engrandecê-la. E, para isso, é preciso tomar cuidado com duas coisas: a primeira é que tem muita gente que cuida demais do urgente e deixa de lado o importante. Cuida da carreira, do dinheiro, do patrimônio, mas deixa o importante de lado. Depois não dá tempo.
A segunda grande questão é gente que se preocupa muito com o fundamental e deixa o essencial de lado. O essencial é tudo aquilo que não pode não ser: amizade, fraternidade, solidariedade, sexualidade, religiosidade, lealdade, integridade, liberdade, felicidade. Isso é essencial. Fundamental é tudo aquilo que te ajuda a chegar ao essencial. Fundamental é a tua ferramenta, como uma escada.
Uma escada é algo que me ajuda a chegar a algum lugar. Ninguém tem uma escada para ficar nela. Dinheiro não é essencial. Dinheiro é fundamental. Sem ele, você tem problema, mas ele, em si, não resolve. Emprego é fundamental, carreira é fundamental. O essencial é o que não pode não ser. Essencial é aquilo que faz com que a vida não se apequene. Que faz com que a gente seja capaz de transbordar. Repartir vida. Repartir o essencial, a amizade, a amorosidade, a fraternidade, a lealdade. Repartir a capacidade de ter esperança e, para isso, ter coragem. Coragem não é a ausência de medo.
Coragem é a capacidade de enfrentar o medo. O medo, assim como a dor, é um mecanismo de proteção que a natureza coloca para nós. Se você e eu não tivermos medo nem dor, ficamos muito vulneráveis. Porque a dor é um alerta e a dor nos prepara. É preciso coragem para que a nossa obra não se apequene. E, para isso, precisamos ter esperança.
E, como dizia o grande Paulo Freire, “tem de ser esperança do verbo esperançar”. Tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. “Ah, eu espero que dê certo, espero que resolva, espero que funcione.” Isso não é esperança. Esperançar é ir atrás, é se juntar, é não desistir. Esperançar é achar, de fato, que a vida é muito curta para ser pequena. E precisamos pensar se estamos nos dedicando ao importante em vez de ao urgente. Tem gente que diz: “Ah, mas eu não tenho tempo”. Atenção: tempo é uma questão de prioridade, de escolha.
Quando eu digo que não tenho tempo para isso, estou dizendo que isso não é importante para mim. Cuidado, você já viu infartado que não tem tempo? Se ele sobreviver, ele arruma um tempo. O médico dizia “você não pode fazer isso, tem de andar todos os dias”. Se ele infartar e sobreviver, no outro dia você vai vê-lo, às 6 horas da manhã, andando. Se ele tinha tempo, que ele teve de arrumar agora, por que não fez isso antes? Você tem tempo? Se não tem, crie. Talvez precisemos rever as nossas prioridades. Será que estamos cuidando do urgente e deixando o importante de lado? Será que não estamos atrás do fundamental, em vez de ir em busca do essencial? E assim, contribuir com meu verso!


terça-feira, 21 de junho de 2016

15 Coisas que casais saudáveis fazem


Todo mundo sonha em encontrar a metade da laranja, a cara metade, a pessoa que vai nos completar para o resto de nossas vidas. Mas, está cada vez mais difícil manter um relacionamento saudável nos dias de hoje. Podemos dizer, que os relacionamentos considerados saudáveis são aqueles em que não há nenhum tipo de abuso, manipulação, e não há espaço para comportamentos e situações tóxicas.
Um casal que possui uma relação saudável evita ter alguns comportamentos e toma alguns cuidados essenciais. Veja aqui algumas das atitudes que casais felizes tomam na vida a dois:
Não pulam etapas
Casais com relacionamentos saudáveis não pulam etapas, vivem uma de cada vez. Isso significa dizer que eles vivenciam tantos os maus quanto os bons tempos que passam juntos e diariamente, aproveitam a presença um do outro. Assim, eles não estão desesperados para chegarem logo ao final feliz. Viver um dia de cada vez, sem pressa, esse é o caminho
A conquista é diária
Talvez a etapa mais importante para se ter um relacionamento saudável é entender que a conquista do amado é diária. Casais felizes ainda se paqueram e gostam de impressionar um ao outro, de se sentirem amados e atraentes. Um elogio de vez em quando não faz mal a ninguém.
Entenda, crises e obstáculos são normais pelo caminho
Casamentos e relacionamentos em geral, nem sempre são fáceis. Brigas, momentos de crise e decepções fazem parte do caminho de qualquer pessoa. Por isso, quando vislumbrar um casal de velhinhos na rua, entenda, que por mais que eles sejam felizes, com certeza, já passaram por esses momentos e superaram.
A sua felicidade só depende de você
Não é nada saudável depositarmos a nossa felicidade e demais expectativas em outra pessoa. Não devemos esperar que ela atenda a todas as nossas necessidades. Entenda, que a busca da plena felicidade é algo intrasferível e pessoal. Ela só depende de você.
Compartilhe todos os momentos
Casais saudáveis não guardam segredo para com o outro. Eles compartilham suas vidas, seus momentos, seus segredos e seus medos. Sempre são honestos com o parceiro, mesmo sabendo que poderá haver consequências não tão boas assim. Somente desta maneira, eles viverão felizes e em paz.
Não tenha medo
Casais com relacionamentos saudáveis não têm medo de correr risco, de dizer realmente tudo aquilo que sentem. Amar é correr risco, é dar chance para ser feliz. Se permanecer na defensiva, nunca será capaz de amar de maneira plena.
Nunca finja
Nunca se deve fingir, demonstrar sentimentos que não se tem. Ser verdadeiro é ter consideração, é ser amoroso. Seja o que você realmente é.
Não ligue para a opinião dos outros
As pessoas nem sempre terão uma opinião favorável sobre o seu relacionamento. Mas quem disse, que você precisa da opinião dos outros?
Esqueça do passado
Passado é passado. Por isso, desvincule-se dele. Não traga para o seu relacionamento erros do passado que vocês dois já resolveram.
Não viva em um sistema baseado em trocas
Nunca dê algo esperando receber outra coisa em troca. Ao invés de pensar quais vantagens poderá ganhar com tal ato, procure pensar no que pode fazer para o seu parceiro.
Na alegria e na tristeza
Como já dissemos, casais felizes compartilham todos os momentos, sejam eles bons ou ruins. Nos momentos difíceis eles se apoiam e estão sempre de ouvidos e braços bem abertos para os seus parceiros
Nunca tente mudar o jeito do seu parceiro
Quando vocês se conheceram, certamente algo nele (a) te chamou a atenção, não é? Então, para que tentar mudar o seu parceiro? Casais com relacionamentos saudáveis não criticam e não estabelecem defeitos no amado. Eles se gostam por serem quem são e da maneira que são exatamente.
Respeite o espaço do outro
Não é porque você está em um relacionamento, que a outra pessoa é propriedade sua. Respeite o espaço e a individualidade do seu parceiro.
Cresçam juntos
Em relacionamentos saudáveis, ambos crescem e ainda permitem que o outro cresça, da maneira que desejar. Não há intenção oculta e nenhum tipo de sabotagem. Assim, ambos têm a chance de crescer no relacionamento, e na vida.
Não se cura um amor, com outro amor
É comum, na era das mídias digitais, vermos relacionamentos se dissolverem e logo, um dos envolvidos, estar envolvido com outra pessoa. Não se cura a dor de um amor, com uma nova relação. Quando este é realmente saudável, ambos aprendem com sua dor, seus erros e curam as feridas antes de procurar por um substituto, outro parceiro.

Escrito por Flávia Faria da Equipe Eu Sem Fronteiras.

domingo, 5 de junho de 2016

NÃO ACEITE O QUE NÃO FAZ SENTIDO. MUDE, MAS FAÇA DO SEU JEITO


É uma sensação de esgotamento. Há desigualdade social e crise econômica por todos os cantos. Intolerância religiosa e extremismo político perto ou distante. Doenças e desastres ambientais chegam sem aviso prévio. Em meio a tudo isso, a cada ano que passa, parece que diminuem as horas dos dias. Vivemos sufocados-apressados-fadigados enquanto é doloroso não saber ao certo o que significa viver.
Também chega um momento na vida em que fica insuportável ser uma pessoa infalível. E, mesmo sendo virtuoso o ser humano que se doa sem querer algo em troca, em determinadas situações, não é egoísmo quando se decide dar ao outro somente o que ele merece receber de você. Tem gente que só sabe pedir e cobrar, mas não doa o seu tempo, a sua disposição e nem a sua paciência.
Afinal, para que se dedicar com tanto afinco a quem nos ignora? Por que participar da hipocrisia de manter as aparências enquanto está tudo desmoronando? De que vale entrar em “competições virtuais” para ver quem é mais feliz?
Prisioneiros da vaidade, esquecemos a realidade do mundo ao redor. Do camarote de nossas fraquezas, assistimos com frieza o pedinte implorar esmola sob o sol ardente; ignoramos o desconhecido que chora, pois não queremos chorar; e nos acostumamos às palavras que nunca são ditas.
É por isso que, vira e mexe, a gente perde a fé. Nessa impotência amarga, sofremos com o desapontamento de nós mesmos (por sermos covardes) e por aqueles que insistem em nos magoar; assim, deixamos de reparar nos pequenos milagres que acontecem todos os dias: a coragem e a bondade que resistem dentro da gente.
Para mudar, devemos aceitar as imperfeições, as incertezas e até mesmo as desilusões que nos rodeiam. Mas, para isso, é preciso ter o pensamento livre. Livre como a folha solta levada pelo vento e como a rosa que floresce na montanha. Livre como a voz de Elvis Presley ao cantar “My Way”.
Por isso, cante a sua vida do seu jeito: faça o que é para ser feito e saiba ter alguns arrependimentos. Planeje cada passo a ser dado e vá até o fim. Mas, também, deixe algo por fazer e se jogue na estrada sem destino certo. Ria e chore, ame e sofra. E, tudo aquilo que fizer, faça sendo você mesmo. Pois um homem é aquilo que ele tem, e se ele não tem a ele mesmo, então não tem nada.
Se amanhã será outro dia e todos os problemas continuarão iguais, hoje é dia de repensar: “nada que está ruim irá mudar se eu ficar apenas me lamentando”. Não cabe vigor em um peito sufocado. Às vezes, precisamos deixar para trás um projeto impossível para voltarmos a ter esperança. Ou, então, é necessário abrir mão de um amor mal resolvido para o dia nascer outra vez. Ganhar também é aprender a perder.
Por isso, não deixe nada paralisar a sua vontade de mudar. Abra essa armadura que sufoca as suas culpas. Saia do labirinto que prende a sua alma. Esqueça vozes vazias de sentido e alcance o voo dos libertos: sinta a catarse do seu espírito ao ser transmutado da morte para a vida.


Por Rebeca Bedone – Médica e escritora