quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Do seu jeito

Ninguém devia se importar com seu corte de cabelo, sua roupa justa, sua fé em pêndulos, seu desejo por morangos azedos, sua boca suja de palavrões inteiros, sua bota da estação passada, suas unhas sujas da terra que você plantou.
Ninguém devia se importar com seu riso alto, sua voz que quase não fala quando não há o que dizer, sua preferência por séries, muitas vezes mais sensatas que pessoas, seu amor por um pet, pelos livros que você não sentiu o mínimo tesão de ler.
Ninguém devia se importar com as delícias que decidiram morar em você. Ninguém devia ligar a mínima para seus óculos extravagantes, sua bolsa gigante, seus brincos de diamantes que você nem pode pagar.
Ninguém devia ligar se a namorada nova do Miguel não conhece tão bem outros verbos além de beijar, amar e abraçar. Ninguém devia se importar com quem gasta dois terços do salário com jogos e outro terço com comida congelada pra não ter que perder tempo com o que não lhe importa.
Ninguém devia ligar para os casais que nem mesmo respeitam o período de carência dos convênios pra casar – Eu adoro seu jeito de rir. Vem morar comigo? – e amou aquele riso desconhecido por muitos anos ainda. Ninguém devia se importar com nada isso.
Ninguém devia ligar para as pessoas que dançam, que bebem demais, que dizem que amam sem nem conhecer. Nem com a chuva que invade o meio do dia, nem com os garotos de doze anos que andam de salto melhor que você.
Ninguém devia ligar para a ausência de proteína no prato dos veganos, para a ausência de cabelos, para o banquete de unhas, para a falta de jeito de quem não sabe gargalhar sem roncar. Ninguém devia ligar pra quem ama o funk e acha que Roberto Carlos é mais nu dos reis nus.
Ninguém devia ligar, já que a vida é um tempo tão curtinho e sedento, que voa na pressa do tempo, sem perdoar as nossas distrações. Ninguém devia se importar com as tentativas dos outros de serem felizes do seu jeito. Ninguém devia ligar, mas somente tentar, fazer ao menos uma coisa na vida, como jamais foi feito.

Diego Engenho Novo



domingo, 17 de janeiro de 2016

Como entender pessoas que vivem de mal com o mundo

O humor é definido como um estado de ânimo que gradua a disposição e o bem-estar psicológico e emocional dos indivíduos, e pode ser avaliado pelo conjunto de sentimentos e emoções vivenciados em determinado período da vida. Sentimentos e emoções formam a afetividade e se relacionam ao humor, estando ligados ao temperamento, que define a individualidade e a forma de reagir às circunstâncias de acordo com suas características, sendo inato. É comum ouvir comentários de que alguém é calado ou nervoso desde criança, ou sempre foi vaidosa ou curiosa, características que fazem parte da pessoa, e que determinam seu comportamento.

Para exemplificar o papel de sentimentos, emoções e humor, imaginemos uma pessoa apaixonada. Ela experimenta o sentimento de amor, que origina a emoção alegria e lhe dá a sensação de bem-estar. Este indivíduo se sentirá feliz e seu humor estará ótimo. Mas, se a pessoa apaixonada não for correspondida, sentirá tristeza e seu humor pode ficar deprimido. O mesmo sentimento (amor), dependendo das circunstâncias, provocará emoções e estados de ânimo diferentes. Podemos concluir então que o humor depende das situações, que ele muda de acordo com os acontecimentos e, principalmente, como estes são encarados.
É natural sentir infelicidade e desânimo, preocupar-se, ficar irritado ou com raiva, dar vazão a frustrações, todas as emoções têm uma função de autorregulação, é preciso vivenciá-las e então superá-las. Nisso se inclui o mau humor, resposta emocional passageira, já que a vida é dinâmica. Mas se situações mudam, novas oportunidades se apresentam, se há sempre novas possibilidades, os sentimentos se renovam e trazem diferentes emoções, como entender pessoas que parecem eternamente de mal com o mundo?
Indivíduos que demonstram incapacidade de usufruir a vida e parecem dominados por um constante sentimento de negatividade, para os quais o copo da vida está sempre meio vazio e andam acompanhados por uma nuvem negra, podem sofrer de um transtorno de humor denominado distimia. A distimia caracteriza-se principalmente pelo desinteresse por atividades prazerosas; irritabilidade, mau humor e descontentamento constante; falta ou excesso de apetite; insônia ou sonolência excessiva; cansaço constante e falta de energia; baixa autoestima, pessimismo e desesperança; dificuldade de se concentrar e tomar decisões.
A distimia difere de outros tipos de depressão pelos sintomas serem mais leves e contínuos, como se fosse a maneira de ser da pessoa, podendo levar de uma vida limitada até o isolamento, causando prejuízos pessoais e profissionais. Alguns critérios diagnósticos são a observação dos sintomas mencionados por longo período de tempo, além de queixas de dores físicas, e a avaliação de comportamentos como abuso de álcool e drogas, que são buscados com frequência nos casos de transtorno de humor, na tentativa de escapar ao mal-estar emocional.

A dificuldade de diagnóstico ocorre pelo fato de a própria pessoa acreditar que sua forma de ver e pensar o mundo, os outros indivíduos e o futuro e de reagir aos estímulos externos faz parte de seu temperamento. A terapia cognitivo-comportamental trabalha com a proposta de mudanças das crenças e dos padrões de comportamento que possibilitam a aquisição de habilidades que tornam a vida menos sombria e insípida para os que sofrem de distimia.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

“Case-se com alguém que adore te escutar contando algo banal como o preço abusivo dos tomates, ou que entenda quando você precisar filosofar sobre os desamores de Nietzsche. Case-se com alguém que você também adore ouvir. É fácil reconhecer uma voz com quem se deve casar; ela te tranquiliza e ao mesmo tempo te deixa eufórico como em sua infância, quando se ouvia o som do portão abrindo, dos pais finalmente chegando. Observe se não há desespero ou insegurança no silêncio mútuo, assim sendo, case-se.

Se aquela pessoa não te faz rir, também não serve para casar. Vai chegar a hora em que tudo o que vocês poderão fazer, é rir de si mesmos. E não há nada mais cruel do que estar em apuros com alguém sem espontaneidade, sem vida nos olhos.

Case-se com alguém cheio de defeitos, irritante que seja, mas desconfie dos perfeitinhos que não se despenteiam. Fuja de quem conta pequenas mentiras durante o dia. Observe o caráter, antes de perceber as caspas.

Case-se com alguém por quem tenha tesão. Principalmente tesão de vida. Alguém que não o peça para melhorar, que não o critique gratuitamente, alguém que simplesmente seja tão gracioso e admirável que impregne em você a vontade de ser melhor e maior, para si mesmo.

Para se casar, bastam pequenas habilidades. Certifique-se de que um dos dois sabe cumpri-las. É preciso ter quem troque lâmpadas e quem siga uma receita sem atear fogo na cozinha; é preciso ter alguém que saiba fazer massagem nos pés e alguém que saiba escolher verduras no mercado. E assim segue-se: um faz bolinho de chuva, o outro escolhe bons filmes; um pendura o quadro e o outro cuida para que não fique torto. Tem aquele que escolhe os presentes para as festas de criança e aquele que sabe furar uma parede, e só a parede por hora. Essa é uma das grandes graças da coisa toda, ter uma boa equipe de dois.

Passamos tanto tempo observando se nos encaixamos na cama, se sentimos estalinhos no beijo, se nossos signos se complementam no zodíaco, que deixamos de prestar atenção no que realmente importa; os valores. Essa palavra antiga e, hoje assustadora, nunca deveria sair de moda. Os lábios se buscam, os corpos encontram espaços, mas quando duas pessoas olham em direções diferentes, simplesmente não podem caminhar juntas. É duro, mas é a verdade.

Desta forma, esqueça todas as sugestões anteriores e guarde uma simples: antes de casar-se com alguém é preciso conhecê-lo bem, e isso é profundamente difícil quando não se conhece minimamente a si próprio. Sabendo que caminho quer trilhar, relaxe! A pessoa certa para casar certamente já o anda trilhando. Como reconhecê-la? Vocês estarão rindo. Rindo-se.”

(Diego Engenho Novo)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Dizem que a experiência faz o mestre… Será?

O tempo tem a indiscutível missão de operar transformações em nós. Mesmo a mais teimosa das pessoas, mais dia menos dia, acaba se rendendo às areias do tempo. A passagem dos minutos; das horas; dos dias; dos anos; das vidas, vão modulando dentro de nós a nossa maneira de vermos o mundo, de nos vermos e de entender a maneira do mundo de nos ver.
Quem será que faz os ponteiros dispararem durante o tempo que dura um beijo apaixonado, um fim de tarde morno na praia, um amanhecer azul de inverno visto do topo de uma montanha, a primeira noite de amor, o primeiro colo que oferecemos ao filho recém-nascido, o último abraço de conforto que entregamos ao pai?
Quem terá o poder de fazer emperrar o relógio e impedir que os minutos escoem nas situações dolorosas a que somos submetidos; nas noites insones; nas enfermidades que roubam de nós o brilho da vida; nas experiências de perda que ninguém pode passar por nós.
O tempo que passa é mensurável, real e físico. O que fazemos dele, é tão subjetivo quanto a interpretação de um poema ou a capacidade que temos para descrever o sabor de um beijo. São as experiências vividas que determinam o quanto fomos espertos, lentos ou refratários diante das oportunidades infinitas de aprendizagem às quais somos apresentados a cada dor suportada, a cada prazer sorvido aos poucos ou apressadamente.
A sabedoria que tanto almejamos alcançar tem muito menos a ver com o tempo do que com a nossa disposição em nos entregarmos de corpo inteiro e alma desarmada. É a coragem de aceitar que é inevitável sangrar às vezes, esperar que cicatrize para só então, tentar entender o propósito de nossa passagem por esse planeta tão confuso e belo, ao mesmo tempo, que fará de nós um pouco mais humanos e menos intolerantes.
A nossa vida aqui neste tempo presente não pode ser aceita simplesmente como a consequência direta de nossas ações e escolhas pregressas; seria simplificar demais acreditar em tão descomplicada explicação. Somos o que fazemos de nós a cada instante. Somos os “sins” e “nãos” que proferimos; somos a mão que estendemos ou o abraço que negamos; somos o alimento que partilhamos ou a sede que infringimos; somos a chuva mansa que acaricia ou a tempestade que arruína.E, se tivermos alguma paciência, seremos presenteados com lições de rara beleza que nos permitirão avançar alguns passinhos para longe de nossa pretenciosa ambição de controle e poder. E, liberados da ansiedade pelo brilho das glórias, seremos aprendizes eternos. Haverá sempre alguma lição mal compreendida ou pouco aprofundada esperando que abandonemos o conforto das coisas conhecidas a fim de nos aventurarmos por caminhos mais estreitos e pouco iluminados.
E o futuro, o que nos espera lá na frente é um mistério insondável, tão assustador quanto belo. A nossa vida no tempo que ainda virá é também a somatória de missões assumidas, desejos projetados e vaidades abandonadas. Para sermos mestres é necessário e indispensável que nos encharquemos de humildade diante daquilo que não podemos modificar. Seremos mestres quando finalmente compreendermos que saber algo ou muita coisa isoladamente, ignorando a necessidade ou contribuição do nosso irmão, é optar pela arma que mutila gerada pela mesma ideia que fez germinar a ferramenta que cura.


sábado, 2 de janeiro de 2016

Caí no clichê né?
 Todos sabemos que uma realidade em que todos os dias são os melhores dias é impossível. Levando em consideração que todos trabalhamos com o fator aleatoriedade ao nosso lado, o livre arbítrio, ou ainda pessoas que estão expostas aos problemas de saúde, física, mental, social muitas dessas pessoas somos nós, ou alguém das nossas famílias, além de estarmos sempre expostos aos riscos do mundo, perder um ente querido, por diversos motivos, enfim, dias maravilhosos para todos, é um sonho praticamente impossível de se conseguir!
 Mesmo assim, É MELHOR DESEJAR O MELHOR PARA TODOS, se desejar é um pensamento utópico, totalmente sem credibilidade para alguns, para mim, o desejo é um anseio da alma, e levando em consideração os diversos fatores que já mencionei, sem nem citar a economia e os nossos políticos corruptos, estes estão no topo da lista brasileira de revoltas caladas.
 Precisamos nos amar mais, parar de olhar apenas para os nossos umbigos, e seguir em frente amando o próximo, viver a vida na paz e no amor.
 Desejo isso para mim, e me sinto feliz por poder desejar isso para todos, afinal, se posso desejar para vocês, é porque ainda estou vivo, e isso já é motivo demais para agradecer, e sinto que isso me enche de vida.
 Todos precisamos de dinheiro, é um fator muito importante nas nossas vidas, é necessário para concretizar sonhos.
 Então, minha torcida e meu DESEJO é que todos ganhem muito DINHEIRO em 2016, e com esse dinheiro, além de APROVEITAR A VIDA, AJUDE o próximo de forma inteligente e SEM INTERMEDIADORES.
 Meu desejo não é apenas para a minha rede de amigos, que são pessoas comuns em sua maioria, meu desejo é para todos os nossos irmãos pelo Brasil e pelo mundo.
 Volto a cair no clichê, com um desejo totalmente fora de sentido, se baseando nas nossas políticas globais, mesmo assim desejo a PAZ E O AMOR MUNDIAL.
 E desejo que os poucos que tem muito do mundo, lembrem que existe tanta gente no mundo que precisa de uma ajuda, é só olhar a situação de vários países.
 No nosso caso não precisamos ir muito longe, quanto de impostos pagamos para sustentar a farra de poucos que tiram do coletivo, através de verbas de hospitais, escolas, obras, a lista é imensa, e fazem somente para chegar mais perto desse seleto grupo de bilionários.
 Sem ajudar o próximo, nunca teremos um mundo de paz e harmonia, isso é triste demais, levando em conta que existe essa possibilidade.
Não tenho como falar do cara que ganha para alimentar sua família, dar um certo conforto para ela, mas o milionário que não ajuda ninguém, seu dinheiro e sua história no final, não vai servir de nada para a humanidade. 
Desejo que você que tem muito, ajude o próximo, e saia da sua redoma de diamante para olhar o mundo.
Voltando ao meu principal desejo para 2016...

Desejo junto com todas as forças do universo um ano maravilhoso para todos vocês, espero que 2015 tenha sido um ano de aprendizado e que todos colham os frutos plantados, 2016 vai ser o melhor ano das nossas vidas!

Celso Pantoja 

Das Vantagens de Ser Bobo


O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.
Clarice Lispector

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Chegou ao fim. Acabou. O ano virou a esquina. Não volta nunca mais.
Assim como as oportunidades perdidas, os beijos não dados e as palavras não ditas que nele ficaram e nele naufragaram no limbo do passado.
Para deixar saudade. Para deixar arrependimento. Para deixar alívio. Para deixar.
O que foi feito, foi feito. O que foi sentido, foi sentido. O que foi vivido, foi vivido.
O que não foi, virou poeira.
E da poeira, virou pretérito.
E do pretérito, virou esquecimento.
Enquanto um ano dá adeus, o outro já nos atropela.
E ele chega sem pedir, ele chega sem permissão, ele chega sem bater na porta.
Ele chega sem que tenhamos tido tempo de engolir o último.
Sem pausa, sem recesso, sem férias.
365 chances velhas são perdidas para que 365 novas sejam ofertadas.
E sabe o que eu espero do ano novo?
Eu não espero nada.
Eu espero muito é de mim mesma.
Eu espero doar sem me preocupar se vou receber.
Eu espero ser para o mundo sem me preocupar se o mundo me será de volta.
Eu espero ser a melhor versão de mim mesma.
Eu espero ser a pessoa que o meu cachorro acha que eu sou.
Eu espero que os meus braços sejam grandes o suficiente para abraçarem as oportunidades que a vida me atirar.
Eu espero ser sábia para conseguir dar valor ao que realmente for de valor e me desligar do que não.
Eu espero ser esponja para o que for amor, luz e calmaria.
Eu espero ser repelente para o que for nebuloso, amargo e baixo.
Eu espero ser cura. Mas também vício.
Eu espero ser santa. Mas também puta.
Eu espero ser céu. Mas também inferno.
Eu espero ser mar. Mas também lava.
Eu espero ser muitas enquanto for só eu mesma.
Eu espero resolver as questões que deixei em aberto.
Eu espero fechar os ciclos de ontem para dar espaço aos de amanhã.
Eu espero deixar o passado passar.
Eu espero fazer as pazes comigo mesma.
Eu espero me deixar carregar pela correnteza da vida.
Eu espero que existam segundas chances.
Mas espero não precisar delas.
Eu espero seguir em frente.
Mas espero saber que o que importa é a direção e não a velocidade.
Eu espero que não esperem.
De mim Por mim.
Eu espero saber esperar.
Dos outros. Pelos outros.
E sabendo esperar, eu espero nada esperar.
Assim eu espero.



Marina Barbiere