quinta-feira, 5 de março de 2015

Aos 90 anos, Regina Brett escreveu as grandes lições do seu envelhecimento:


 A vida não é justa, mas ainda é boa.
 Quando estiver em dúvida, dê somente, o próximo passo, pequeno.
 A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.
 Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.
Pague mensalmente seus cartões de crédito.
Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar.
 Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.
 Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.
Quanto a chocolate, é inútil resistir.
 Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.
 É bom deixar suas crianças verem que você chora.
 Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é
a jornada deles.
Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.
 Tudo pode mudar num piscar de olhos. Mas não se preocupe; Deus nunca pisca.
Respire fundo. Isso acalma a mente.
Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.
Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.
Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.
Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.
 Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use lingerie chique. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.
 Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.
Seja excêntrica agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.
 O órgão sexual mais importante é o cérebro.
 Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você..
Enquadre todos os assim chamados "desastres" com estas palavras 'Em cinco anos, isto importará?'
 Sempre escolha a vida.
 Perdoe tudo de todo mundo.
O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo..
 Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.
 Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.
 Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.
Envelhecer ganha da alternativa -- morrer jovem.
 Suas crianças têm apenas uma infância.
Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.
 Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos
os lugares.
Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.
A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
O melhor ainda está por vir.
 Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.
Produza!
A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente.


quarta-feira, 4 de março de 2015

Amizade Segundo Vinicius de Moraes

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto
e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, 
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, 
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, 
que tivessem morrido todos os meus amores, 
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos 
e o quanto minha vida depende de suas existências ... 

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. 

Mas, porque não os procuro com assiduidade, 
não posso lhes dizer o quanto gosto deles. 
Eles não iriam acreditar. 

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem
que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. 

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, 
embora não declare e não os procure. 

E às vezes, quando os procuro, 
noto que eles não tem noção de como me são necessários,
de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, 
porque eles fazem parte do mundo que eu, 
tremulamente, construí,
e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.

E me envergonho, porque essa minha prece é, 
em síntese, dirigida ao meu bem estar. 
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome e me envelhece 
é que a roda furiosa da vida 
não me permite ter sempre ao meu lado,
morando comigo, andando comigo, 
falando comigo, vivendo comigo, 
todos os meus amigos, e, principalmente, 
os que só desconfiam 
- ou talvez nunca vão saber -
que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.


Vinicius de Moraes


A nossa aliança não está no dedo

Não é no anelar, mas é na ponta dos dedos a nossa aliança. Ali está a sensibilidade, ali está a energia que faz de nós vulcão e brisa de mar. Nossa aliança é a sabedoria de decidir a intensidade do toque, a reciprocidade da intenção. É o tato da barriga do outro nas costas quando nos juntamos para dormir, mesmo que essa posição dura menos de dois minutos. Nossa aliança é o cheiro de café no beijo de bom dia.  
Nossa aliança é a minha inocência em amar as pessoas e a sua resistência em acreditar que seja possível amar tanto. É a minha vontade de pedir desculpas por qualquer coisa que eu não tenha feito e a sua mão firme, segurando a minha, e dizendo “calma, essa solidão vai passar”.
Nossa aliança é a certeza de que não existe balança perfeita entre as diferenças e semelhanças para um casal, mas a nossa se equilibra sozinha. É o seu cabelo se adaptando ao meu shampoo, os pelos naturalmente penteados do seu braço me fazendo chorar de felicidade no meio da noite e o tato do meu pé encaixando no seu enquanto dormimos.
Nossa aliança é a sua vontade de conhecer o mundo, a minha de não sair do Brasil nunca e a nossa certeza de que a nossa casa é o melhor lugar que pode haver. Nossa aliança não é cumulativa. Se renova a cada música nova que descobrimos juntos, a cada momento em que conseguimos expulsar nossas intensidades do quarto para sermos leves juntos. É a certeza de que as brigas mais homéricas que tivemos não foram egoístas: na verdade eu briguei pra que você fosse mais feliz e você para que eu sorrisse mais.
Nossa aliança é o choro cúmplice que temos quando temos medo de que a febre nunca passe, mesmo sabendo que ela vai passar. É a fragilidade que escorre em lágrimas porque não tem motivo para esconder: está escancarada nos olhos.
O que nos une é a vontade que eu tenho de que você leve cantadas baratas de garotas lindas em noites com os amigos e a sua mensagem pedindo pra que eu flerte com alguém no boteco. É o desejo de que o outro tenha sempre motivos para ser confiante, para se sentir bem, para ter certeza de que sexo se encontra fácil, mas como o nosso não há.
Nossa aliança é a certeza de que não precisamos um do outro, mas nos queremos acima de qualquer coisa. Uma aliança é circular porque não tem começo, nem fim. O que nos une é a certeza de amor é eterno recomeço.
Não adianta ter pressa de colocar as coisas no lugar, nem tão pouco achar que vamos mudar quem somos e como agimos de uma hora para a outra, é devagar que tudo vai encontrando o caminho certo e entrando no eixo.
Tem horas que a vida da gente está uma bagunça, nos sentimos perdidos dentro de nossa própria realidade, parece que estamos em uma casa onde tudo está fora do lugar, até que um belo dia cansados de viver no caos resolvemos que é hora de colocar tudo em ordem, respiramos fundo, arregaçamos as mangas e com muita pressa iniciamos um processo de reforma íntima, reforma externa, reforma ao redor, queremos tudo arrumado rapidamente e, para ontem de preferência... Depois de um tempo nos encontramos cansados, exaustos e a bagunça permanece a mesma.
Uma sensação de frustração nos acomete e olhamos a nossa volta quase sem acreditar que depois de tanto esforço nada adiantou, e então perguntamos a nós mesmos “Onde foi que eu errei?”, “Tentei, tentei e nada mudou.”, “Será que vale a pena?”. Uma sensação de impotência misturada com um pouco de tristeza se acomete de nós e passamos a acreditar que não somos capazes de ajeitar as coisas, que esse papo de que a força está dentro de nós e que podemos sim realizar uma mudança só pode ser brincadeira.
É possível fazer essa mudança? É sim! ... Dá para colocar tudo no lugar? Dá sim! ... Eu posso realmente fazer isso? Pode sim! ... Mas tem que ser com calma, respeitando o seu tempo , dando um passo de cada vez.
Pense em uma casa que há muito tempo não é limpa e organizada, onde tudo está espalhado e fora de ordem, se você decidir organizar essa casa, será impossível fazer isso em um único dia. Você pode até “dar uma geral”, mas limpar mesmo, colocar as coisas no devido lugar, saber que tudo está no lugar certo, organizado e em ordem novamente, levará tempo. Assim também acontece com a nossa vida, não dá para colocar tudo em ordem de um dia para o outro, você pode até se apressar e “dar uma geral”, mas sabemos que essa geral não inclui detalhes que fazem toda diferença entre ter as coisas no lugar ou não. Colocar as coisas aparentemente no lugar, não é o mesmo do que deixar tudo em ordem.
Sendo assim, ao invés de respirar fundo e sair apressado tentando ajeitar as coisas, que tal começar respirando lentamente e tentar mentalmente listar tudo o que precisa ser feito, e então quando você souber exatamente o que deseja fazer, como isso deve ser feito e de que forma deseja realizar essas mudanças ai sim é hora de arregaçar as mangas e colocar as mãos na massa. Além de ter em mente o que precisa ser mudado é preciso também estar consciente do porque isso precisa ser mudado. Toda mudança precisa acontecer de dentro para fora, quando nos conscientizamos de que é preciso mudar, do porque precisamos dessa mudança e que isso é de fato o melhor para nós, nos capacitamos a colocar isso em prática com segurança e determinação.
Não se preocupe com o tempo que esse processo pode levar, cada pessoa tem o seu próprio tempo, cada passo tem a sua própria velocidade. Não há nada de errado em mudar lentamente, não há problema em precisar de um pouco mais de tempo para ajeitar as coisas, não se culpe por isso, não se cobre por isso, respeite o seu tempo, o processo pode ser lento mas precisa ser contínuo.
Quando você colocar a sua casa interior em ordem, organizar seus sentimentos e pensamentos, suas atitudes e escolhas estarão em sintonia e naturalmente o mundo aqui fora responderá no mesmo ritmo.
Devagar, um passo de cada vez e logo a vida estará correndo a seu favor.
(Maisa Baria)

terça-feira, 3 de março de 2015

11 verdades que o egoísmo esconde de você

1. Desejar o mal a outra pessoa, porque ela tem algo que nós não temos, não nos trará o bem que não temos, e sim o mal que não tínhamos. Responder com um mal (calúnia, difamação, hostilidade etc.) diante de um bem do outro (uma habilidade que não temos, o sucesso etc.) constitui um mal e se manifesta em outros males (ódio ao próximo, dano causado a ele, dano a si mesmo etc.).
2. Qualquer pessoa é mais valiosa que todas as coisas, possessões ou pertences.
3. É mais saudável ocupar-se dos outros que unicamente de si mesmo.
4. A pessoa vai se enriquecer na medida em que contribuir para o enriquecimento pessoal de parentes, amigos e colegas.
5. O melhor caminho para a autoafirmação é o serviço aos outros; o pior caminho é a magnificação da autovalorização.
6. Não podemos desejar ter o mesmo sucesso dos outros sem esforço nenhum, porque as conquistas pessoais precisam ser alcançadas mediante um saudável desejo de superação de si mesmo.
7. A prosperidade alcançada por outros não pode ser vista como algo que nos prejudica.
8. É muito difícil estabelecer vínculos afetivos e autênticos quando não se é solidário com as pessoas.
9. O egoísmo atrapalha a autoestima, pois cria dependência das gratificações afetivas de outras pessoas (elogios, agrados etc.) e faz que a pessoa condicione seu querer unicamente ao fato de que gostem dela.
10. O egoísmo leva a pessoa a confundir pontos de vista diferentes do dela com manifestações de rejeição.
11. A pessoa egoísta não consegue tolerar as frustrações que tanto a amizade quanto a convivência humana implicam.
O egoísmo afunda a pessoa em um abismo tão insondável e ruim, que reduz a liberdade, pois a torna insensível para agradecer pelos bens materiais e sobretudo espirituais.


5 razões que nos impedem de descobrir verdadeiro sentido na vida (excelente)

1. Você vive de fora pra dentro e não de dentro pra fora.

Esse é o primeiro e o principal de todos eles. Os outros praticamente decorrem desse. Aqui está o conceito de Matrix, do filme de 1999. “Quem olha pra fora, sonha; quem olha pra dentro, acorda”, já disse Carl G. Jung.
“Desde a infância as pessoas são ensinadas a procurar outras pessoas para se guiarem. As normas sociais são uma parte importante da infância – você imagina como deve agir em relação aos outros — mas o problema começa quando você estende esse processo e inclui algo tão pessoal quanto o propósito da sua vida. Algumas pessoas tem nossa confiança e a capacidade de nos ajudar a encontrar nosso real propósito único. Se você é uma dessas pessoas que têm essas companhias, você tem sorte! Mas a maioria das pessoas, mesmo as bem intencionadas, escolhem nos colocar dentro de compartimentos que fazem mais sentido pra elas. Para ganhar a aprovação delas, você se dispõe a entrar dentro do compartimento. Para manter a aprovação delas, você aprende a negar seguidamente quem você é. Em situações demais você vive num roteiro de outra pessoa”. (Shelley Prevost)

2. Você procura uma carreira antes de ouvir seu chamado.

Esse na verdade é uma consequência do primeiro. No caso do propósito de vida, essa é a pior (consequência). Isso já foi muito bem tratado num vídeo do psiquiatra chileno Claudio Naranjo, onde ele diz que “É normal não encontrar sentido na vida quando se está muito condicionado pelo mundo” (22/09/2011). Já com 15, 16 ou 17 anos você já está sofrendo toda a pressão dos pais, amigos e da sociedade inteira por uma carreira definida e que, de preferência, dê um longo e financeiramente estável futuro.
Como diz o filósofo zen-budista Alan Watts (1915-1973) em um outro vídeo, “E se o dinheiro não fosse a finalidade?” (17/01/2013).
“Nossa sociedade reduziu o sucesso a uma lista de itens a serem preenchidos: formar-se no colégio, conseguir um(a) companheiro(a), ter filhos, sossegar num caminho profissional bem definido e ficar ali até que os cheques da aposentadoria comecem a chegar. Esse caminho bem costurado coloca as pessoas na direção do conformismo, não do propósito. Estamos tão ocupados evitando medos auto-impostos de não sermos suficientemente (preencha aqui alguma qualidade) – espertos o suficiente, criativos o suficiente, bonitos o suficiente – que raramente paramos e nos perguntamos “Estou feliz e satisfeito? E se não, o que eu deveria mudar?”
Encontrar seu propósito tem a ver com ouvir essa vontade interior. No livro “Deixe Sua Vida Falar” (Let Your Life Speak), Parker Palmer diz que deveríamos deixar nossa vida falar a nós, e não dizer à vida o que vamos fazer com ela. Um chamado é apaixonado e compulsivo. Começa com uma curiosidade (“Eu gostaria de tentar isso”) e então se transforma num mandato que você simplesmente não pode mudar. Um chamado não é um caminho fácil, e é por isso que a maioria de nós nunca o conhece. Tememos o esforço, a idiotice, o risco e o desconhecido. Então escolhemos uma carreira porque preenche os itens que fomos convencidos a preencher.” (Shelley Prevost)

3. Você odeia o silêncio.

Bom, não conheço muitas pessoas que realmente odeiam o silêncio, mas conheço muitas que “não suportam”. A justificativa geralmente é que o silêncio ou é angustiante ou uma perda de tempo. Aqui não há muita discussão, pois apenas no silêncio de si mesmo é que se descobre a essência da vida, e por mais subjetivo e desconhecido que isso possa parecer para um novato no mundo do silêncio, se não houver isso, não há muito o que fazer a respeito do aprofundamento em si mesmo. Apesar de algumas pessoas parecerem irem bem em suas carreiras sem silêncio, se você prestar atenção vai perceber que muitas delas cultivam o silêncio e os longos momentos contemplativos pessoais com bastante frequência, à sua maneira. A experiência de estar sentindo seu próprio propósito é calmante e satisfatória, inclui e se deleita no silêncio, enquanto que a experiência (ainda que externamente bem sucedida) de estar fora do seu caminho traz angústia e inquietação, coisa que o silêncio acentua e que, por isso, é rejeitada.
“Vivemos numa sociedade que não valoriza o silêncio. Valoriza a ação.
Mas viver sem silêncio é perigoso. Sem ele, você acaba acreditando que seu ego – e tudo que ele quer – é seu propósito. Se você imaginar bem esse cenário, sabe que ele não termina bem. Viva uma vida onde o Ego está no comando e você se encontrará o esgotamento – e uma questão esgotante: “Eu tenho uma ótima vida. Porque não estou satisfeito?”. O silêncio abafa o barulho e cria um espaço para a autenticidade aparecer. Em silêncio, você pode se perguntar como sua vida ou seu trabalho realmente está indo e pausar para esperar a resposta. Em silêncio, você dá tempo para que as informações da sua vida convirjam em algumas lições. Geralmente, entretanto, antes que as lições tenham tempo para penetrar você já foi para a próxima distração.” (Shelley Prevost)

4. Você não gosta do lado sombrio de si mesmo.

A não ser que você tenha nascido iluminado, o que neste caso não estaria lendo esse blog (rs), as chances de você não gostar ou não ter gostado da sua sombra são de 100%. O trabalho de conhecer e aceitar e crescer com o próprio lado sombrio é geralmente uma consequência do trabalho esmerado e profundo sobre si mesmo, seja em terapia, em meditação, em outras práticas, ou tudo isso junto. Aqui, de novo, aparece nossa cultura que não vê nenhum valor em não rejeitar ou em aceitar algo “ruim”, “negativo”, traços de fraqueza ou maldade ou escuridão. É a sombra, como definiu Carl G Jung.
“A sombra é o lado da sua personalidade que você não quer que os outros vejam. Representa suas deficiências, suas falhas, suas motivações egoístas. A maioria de nós evita isso antes que qualquer um possa ver. Mas há uma coisa: a parte de você que é a mais escura tem a maior quantidade de coisas para lhe ensinar sobre seu propósito. Se descobrir seu propósito é realmente sobre auto-conhecimento, sua escuridão lhe mostra onde você mais precisa crescer. Mais importante ainda, mostra de quem você mais precisa aprender. É das pessoas que você menos gosta que você tem mais a aprender sobre si mesmo. Mas a maioria ignora o lado sombrio. Em vez disso, você busca relacionamentos confortáveis que reforcem as imagens gastas e obsoletas de si mesmo.” (Shelley Prevost)

5. Você ignora a mente inconsciente.

“No livro “The Social Animal”, David Brooks fala sobre o preconceito de nossa cultura que diz que “a mente consciente escreve a autobiografia da nossa espécie”. Assim como Brooks, acredito que nossa cultura tem um relativo desdém pela mente inconsciente e tudo que ela representa – emoções, intuição, impulsos e sensibilidades. Para descobrir nosso propósito, temos que estar confortáveis com nossa mente não-lógica. Você deve se acostumar em não ter as respostas. Você deve tolerar a ambiguidade e aceitar as lutas. Deve se permitir sentir – profundamente sentir. Planejar intelectualmente seu caminho em direção a uma vida com propósito não funcionará nunca. Mas isso é pedir demais para a maioria das pessoas. Elas vão negar, despistar, ridicularizar ou simplesmente ignorar. E essa é a razão pela qual a maioria de nós viverá sem saber qual o verdadeiro propósito.” (Shelley Prevost)
Parece lógico e sensato que deveríamos ter o controle de tudo (ou da maioria das coisas) e estarmos plenamente conscientes de todos os nossos passos e não sofrermos com fraquezas nem obstáculos. Mas a vida simplesmente não é assim. “Há muito mais coisa entre o céu e a Terra, Horácio, do que imagina vossa vã filosofia”, já dizia Shakespeare. E a mesma coisa vale nosso universo interior. O ser humano é uma manifestação da forças e energias múltiplas, dinâmicas e inteligentes, e reconhecer e viver isso é apenas um dos passos no caminho do auto-conhecimento e do próprio propósito. Não é a toa que várias técnicas terapêuticas levam em conta todo esse compêndio que a vida humana expressa, e é assim que entendem e curam e integram o ser em si mesmo.

Detox da vida!



Passou o Natal, passou o Ano Novo, passou o Carnaval. 
"The game is over" e a vida real pede passagem.
 É nessa hora que a febre detox-vida-nova-entrar-nos-eixos vem com força ainda maior- se é que isso é possível.
Detox vem da ideia de desintoxicar, tirar do corpo tudo o que não lhe faz bem. Louvável, sem dúvida nenhuma. Mas o problema começa quando as pessoas resolvem achar que duas garrafas de suco verde são a milagrosa solução para melhorar suas vidas.
2015 tá aqui na nossa frente e de nada vai adiantar desintoxicar o corpo, se a vida e a alma estão povoadas de hábitos, pessoas, dias e caminhos tóxicos. Parasitas, comodismos, vícios, medos.
Gente tóxica é o que mais tem. Gente cinza, amarga, invejosa, gente que gosta de problema, que gosta de doença, que gosta de discórdia, gente que vive de aparência, gente rasa. E não tem jeito, temos que fugir mesmo, cortar, evitar ao máximo. Bom dia, boa tarde e até logo. Não nos deixemos contaminar.
Não adianta comer chia toda manhã se a gente odeia o emprego e já sai de casa com vontade de voltar. Não dá para achar que o corpo vai estar puro se você não acredita no que faz e passa mais de 40 horas da semana ruminando tarefas infelizes.
Não adianta beber 3 litros de água por dia quando se está num relacionamento que afundou. É cômodo, todos sabemos. Mas a vida é uma só e não dá para ver os dias, meses e anos passarem com migalhas de amor e sem vestígios de paixão.
Não adianta colocar linhaça nas receitas quando só se reclama da vida, dos outros, do país, do calor, da chuva, do trânsito. É um ciclo vicioso, quanto mais a gente fala das coisas ruins, menos atenção a gente dá às coisas boas e a vida vai ficando ruim, ruim, ruim.
É ilusão achar que a mudança vem de fora para dentro. Que a felicidade e a saúde cabem em embalagens plásticas com códigos de barra. Produtos podem ser ótimos coadjuvantes nessa busca, mas a verdadeira mudança é só o protagonista quem faz.
E eu quero um 2015 detox.
Detox de dias iguais.
Detox de gente ruim.
Detox de maus hábitos.
Detox de inveja.
Detox de relações doentes.
Detox de obsessões.
Detox de pessimistas.
Detox de medo de mudar.
Detox de dias desperdiçados.
Detox de sentimentos pobres.
Detox de superficialidade.
Detox de vícios.
Detox de viver por viver.
E pra fazer detox na vida é preciso coragem. Coragem para mudar, para arriscar, para romper, para fechar ciclos que há muito tempo deveriam ter terminado. O ano oficialmente começou e a pergunta é: vai ter só suco verde ou vai ter detox na vida?
Adendo :
Detox não está no calendário, mas nas atitudes diárias das escolhas . 

(publicado em O Estadão em 18/2/2015.