sábado, 31 de janeiro de 2015

Tédio tem mais a ver com você do que com a situação

Não tem nada para fazer? Você está em um lugar chato? Com pessoas chatas? Talvez você é quem esteja chato. Segundo um estudo canadense, o tédio geralmente tem mais a ver com o estado de espírito ou problema da pessoa do que com um problema do ambiente.
 Dizem que a maioria das pessoas pensa no tédio como trivial e corriqueiro, e talvez por isso pesquisadores ainda não o tenham estudado profundamente. Mas o tédio pode ser um sinal de problemas mais sérios.
“O tédio pode ter alguns efeitos horríveis e pode estar associado com estados patológicos. Há uma forte associação entre depressão e tédio, e lesão cerebral traumática e tédio”.
Portanto, é sim importante responder: o que nos faz ficar com aquela cara de mosca morta desejando que o tempo passe mais rápido?
Segundo os pesquisadores, as pessoas acreditam que o tédio se relaciona com o ambiente. Por exemplo, elas acham que, se uma palestra ou uma conversa está chata, podem simplesmente mudar de tópico para evitar a monotonia.
Nós atribuímos o tédio a problemas no ambiente, em vez de problemas com nós mesmos”,  Mas o tédio pode ter mais a ver conosco.
Os pesquisadores, então, construíram uma definição que abrangeu todas as ideias mencionadas: o tédio ocorre quando temos dificuldade em prestar atenção aos estímulos internos e externos necessários para desfrutar de uma atividade. Quando percebemos que estamos com dificuldade de prestar atenção, culpamos o ambiente pela nossa falta de prazer (daí a relação que fazemos).
“Nossa abordagem é de vincular o tédio à atenção”. Essa abordagem é importante porque os psicólogos sabem como tratar problemas de atenção, ou seja, os especialistas podem ajudar as pessoas que experimentam tédio crônico (sim, isso existe) ou cujo tédio está afetando sua vida de qualquer maneira (depressão, vícios, etc).
Os cientistas também acreditam que suas descobertas fornecem novas áreas de estudo.
“Não tenho dados para apoiar isso, mas especulo que as pessoas têm mais tédio nos tempos modernos porque experimentam entretenimento intenso. Estamos acostumados a ser passivamente entretidos e essa estimulação constante nos coloca em risco de [mais] tédio no futuro”.


A arte de ser feliz

HOUVE um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
HOUVE um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.
HOUVE um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz. 
HOUVE um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz. 
MAS, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Cecília Meireles




sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Como uma filha mulher enxerga seu pai

O pai é fundamental no processo de desenvolvimento emocional e social das filhas. O pai é seu exemplo masculino. Um bom pai, mostrará ? menina que tipo de homem ela deve buscar no futuro para se relacionar.

  • Os pais são os primeiros amores na vida das crianças. E não há nada de mal nisso; aliás, é fundamental a existência desse vínculo, pois é a partir dele que as crianças irão formar o modelo de amor que desejam receber no futuro.
  • A relação da menina com seu pai

    O pai é aquele que vem separar a filha da mãe, permitindo que ela se relacione com "o outro", o diferente. De suma importância para seu amadurecimento emocional. Segundo Freud, esse processo é fundamental também para a orientação sexual da menina na vida adulta. Pois ao ver que a mãe tem um relacionamento com o pai, a menina tende a imitá-la e se apegar ao pai, rivalizando com a mãe pelo amor dele. É muito comum a menina pequena dizer que é "a namorada do papai". Ao perceber que o pai "pertence" à mãe, a menina se identifica com ela e quer ser igual a ela para conquistar o amor do pai. Que mais tarde se manifestará na procura de homens com características semelhantes às dele. Claro, que isso tudo ocorre num nível inconsciente, a criança 
    • não sabe que esse processo acontece e nem tem a intenção de que seja assim.
    • O que a menina deseja de seu pai?

      A menina deseja sentir-se amada e valorizada. Ela quer que o pai note sua beleza, o cabelo arrumado, a roupa nova e seus sucessos na vida. Ela quer elogios e mimos.
      É muito importante que o pai responda a essa necessidade da filha e demonstre que a vê e a aprecia. Dizer a ela que está bonita com o novo penteado, ou com o vestido ou felicitá-la por seu bom desempenho a faz sentir que o pai se importa com ela e a ama.
      Toda menina quer ser a princesinha do papai, e não está disposta a aceitar qualquer tratamento inferior a esse. Críticas, embora se façam por vezes necessárias, não são bem-vindas. Caso o pai necessite fazê-lo, faça com bondade ou delegue à outra pessoa como a mãe, por exemplo. É muito constrangedor para a menina ouvir de seu pai que seu cabelo está feio ou que ela não está cheirando bem.
  • Como a menina vê o pai?

    O pai é sua primeira referência do mundo masculino e modelo de como um homem deve ser e como deve tratá-la. Se o pai é bondoso, a trata bem e é um exemplo de virtudes, é provavelmente este tipo de homem que a menina procurará quando adulta para relacionar-se. O inverso também é verdade. Se o pai for agressivo, autoritário, desonesto, é o que a filha guardará como "modelo" masculino. Segundo Regina Rahmi, psicanalista, a verdade é "Tal pai, tal namorado, marido...".
    As meninas admiram seu pai, querem agradá-lo, conquistá-lo e receber seu amor. O pai é forte e protetor. Ele é o provedor e pode realizar seus desejos de consumo.
    É dever de o pai ajudar a filha a amadurecer e criar uma identidade própria. A filha deve saber que não precisa se adaptar, imitar alguém ou agradar a um homem para dele receber amor. Para isso o pai deve mostrar amor incondicional por sua filha. Frases como: "Eu não gosto mais de você, porque você falou palavrão" . "Eu não gosto mais de você, porque você não foi aprovada na escola.", dizem à menina que ela deve ser boazinha e fazer o que o pai deseja para ser amada, fazendo-a desenvolver baixa autoestima e insegurança. Ela passa a acreditar que se não é amada é porque é má.

O pai autoritário x pai permissivo

Segundo a psicóloga Lila Rosana - Ser autoritário pode passar a mensagem para a sua filha que ela tem que se submeter aos homens. Avalie se você precisa ser autoritário sempre, pois deixar algumas decisões nas mãos da filha poderá ajudá-la a amadurecer e a assumir as consequências pelas decisões equivocadas.
Em contrapartida, fazer tudo o que ela quer, o torna o queridinho dela, mas pode torná-la manipuladora. O pai deve também dar limites. Mais informações aqui.
Lila Rosana conclui que: Tratar a sua filha com respeito, confiança e amor, fará dela uma mulher segura e hábil para se relacionar não apenas com os homens, mas com todos ao seu redor.


“A DESTRUTIVIDADE É A CONSEQUÊNCIA DE UMA VIDA NÃO VIVIDA”: ERICH FROMM EXPLICA A ENERGIA PELA VIDA E PELA DESTRUIÇÃO.

O psicólogo, filósofo humanista e sociólogo alemão Erich Fromm (1900-1980), conhecido popularmente por seu livro “A Arte de Amar”(1956), não é obviamente a única referência a definir as origens da destrutividade e agressão humanas, mas é uma das fontes mais interessantes sobre o assunto, e o que impressiona é essa relação direta que traça entre a destrutividade e o viver sem vida, sem expressão, sem espontaneidade - um realidade contemporânea apesar de nossa aparente liberdade. Uma das partes do seu trabalho foi estudar o caráter humano e os dois trechos abaixo buscam decifrar essa característica da destrutividade, que, segundo ele, seria uma transformação da energia da vida gerada a partir dos cerceamentos da expressividade espontânea do viver.  O primeiro trecho é do livro “Em Nome da Vida: Um Retrato Através do Diálogo“, publicado 6 anos após sua morte mas que contém a transcrição de palestras que Fromm realizou em 1970 para uma rádio alemã. O segundo é do seu primeiro livro, “O Medo à Liberdade” (Escape From Freedom), de 1941, da época em que Fromm viveu nos Estados Unidos, retirado da Europa depois da tomada do poder na Alemanha pelo partido nazista.
Fromm geralmente usa o termo destrutividade, talvez porque se refira a comportamentos consolidados nas pessoas, mas acredito que seja possível incluir o conceito de agressão nas duas descrições abaixo. Não a agressão no sentido “saudável”, digamos assim, como Fritz Perls definiria, mas a “agressão anti-social“, contra os outros ou contra si mesmo. Uma interpretação particular dessa agressividade, e que pode servir de convite à mais reflexões nossas aqui, incluiria a agressividade mais comum, como a postura repetidamente crítica como traço de caráter ou a “contrariedade” como maneira de relacionamento com o mundo.
Uma ressalva importante é que essa destrutividade precisa ser compreendida no contexto mais amplo do trabalho inteiro de Fromm, onde ele apresenta a importância das assimilações sociais e o conceito da “liberdade de” (diferente da “liberdade para”), que indica claramente a influência de um ambiente cerceador.
Seguem os dois trechos:
“Em última análise, pode-se dizer que uma pessoa que não encontra alegria na vida tentará vingar-se e preferirá destruir a vida a sentir que não consegue encontrar qualquer sentido em sua vida. Pode estar ainda viva fisiologicamente mas psicologicamente está morta. É isso que dá origem ao desejo ativo de destruir e à necessidade apaixonada de destruir tudo, incluindo a própria pessoa, em vez de confessar que nasceu mas não logrou se tornar um ser humano vivo. Isso é um sentimento amargo para quem o experimenta e não nos entregamos a mera especulação se admitirmos que o desejo de destruir decorre desse sentimento como uma reação quase inevitável.”
~ Erich Fromm, em “Em Nome da Vida: um Retrato Através do Diálogo” (For The Love of Life, 1986)
“Parece que a quantidade de destrutividade encontrada nos indivíduos é proporcional à quantidade em que a expansividade da vida é cerceada. Não estou me referindo às frustrações individuais deste ou daquele desejo instintivo, mas à frustração do todo da vida, ao bloqueio da espontaneidade do crescimento e da expressões das capacidades sensíveis, emocionais e intelectuais do homem. A vida tem um dinamismo interno por si mesma; a vida tende a crescer, a ser expressada, a ser vivida. Parece que se essa tendência é cortada, a energia dirigida à vida passa por um processo de decomposição e muda em energias dirigidas à destruição. Em outras palavras, a vontade de viver e a vontade por destruir não são fatores mutuamente independentes, mas estão em uma interdependência revertida. Quanto mais a vontade em direção à vida é cerceada, mais forte é a energia pela destruição; quanto mais a vida é realizada, menor a força da destruição. A destruição é a consequência de uma vida não vivida. As condições individuais e sociais que geram a supressão da vida produzem a paixão pela destruição que cria, por assim dizer, o reservatório da qual as tendências hostis particulares – seja contra os outros ou contra si mesmo – são nutridas”.
~ Erich Fromm, em “O Medo à Liberdade” (Escape From Freedom, 1941)

Os momentos de dificuldade não duram para sempre, ainda que diante dos problemas a sensação que temos é a de que eles são intermináveis, a verdade é que eles também chegarão ao fim.
Todo acontecimento tem um tempo certo de duração, tempo esse que não é medido em dias ou anos, mas sim de acordo com o ensinamento que traz contido em si e que deve ser acrescentado a nossa alma. Sendo assim quando absorvemos determinada experiência e amadurecemos com ela, ela deixa de ter uma função e por isso deixa de existir, dando lugar a algo novo que ainda precisa ser vivenciado. Não adianta ter pressa e querer que tudo aconteça rapidamente, a vida tem seu próprio ritmo e seus próprios meio de encerrar um ciclo para iniciar outro. As coisas começam a ir para o lugar quando estamos amadurecidos o suficiente para nos adaptarmos a elas.
Cada dificuldade que enfrentamos desperta em nós um novo potencial, revelando a nossa força interior, nos fazendo descobrir peculiaridades a nosso respeito que desconhecíamos e aflorar habilidades que nem imaginávamos. É justamente nos momentos de crise que nos redescobrimos e olhamos para nós mesmos com olhos de surpresa, pois percebemos diante do “impossível” que nossos limites e capacitações vão muito além do que julgávamos. É nesse momento que voltados para dentro de nós aprendemos a reconhecer nossas limitações e todo o poder de realização que possuímos.
É a nossa capacidade de seguir em frente mesmo quando nos sentimos pela metade; a vontade de viver mesmo quando sentimos que parte de nós já está morta; a fé que nos faz seguir em frente e não desistir no meio do caminho ainda que a dor dentro do nosso peito nos grite para parar; a certeza de que mesmo caídos ainda podemos levantar e seguir em frente com todas as cicatrizes que marcam a nossa alma; são todos esses esforços juntos com tantos outros que demonstram a grandeza que existe dentro de nós, é a nossa força interior revelando toda a nossa capacidade de superação.
Tal qual uma roda gigante a vida segue girando, em alguns momentos somos colocamos lá em cima, em outros estamos lá embaixo, nada é definitivo a não ser a certeza de que continuamos a girar, tudo se movimenta e nada fica estagnado. Viver não é fácil, mas é a coragem de não desistir de si mesmo e manter-se firme na espera de que a roda da vida nos leve novamente para o topo que nos dá a certeza de que a vida recomeça a cada dia nos trazendo toda manhã um convite de renovação, crescimento e superação.
As dificuldades duram somente o instante necessário para o nosso aprendizado, quando esse instante termina percebemos que somos capazes de lidar com aquele problema que antes nos afligia, não porque o problema diminuiu, mas porque crescemos diante dele.
(Maisa Baria)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Os 4 pilares dos relacionamentos saudáveis




Os 4 pilares dos relacionamentos saudáveis

1. Um apego saudável

A maioria das pessoas associa a palavra apego à relação que as crianças estabelecem com os seus pais. São os laços afetivos iniciais que permitem o desenvolvimento do amor e carinho essenciais para que a criança cresça com confiança . Quando falamos da relação de casal a dinâmica é semelhante, pois todos nós precisamos estabelecer uma ligação especial com a pessoa que amamos . Mas cuidado, nem todas as formas de apego são saudáveis ​​na construção de uma relação enriquecedora.

- Relações baseadas na confiança: aqui o casal constrói a confiança mútua. Pessoas maduras não têm que cultivar dúvidas constantes sobre o parceiro (a) porque o laço de afeto e confiança se sobrepõe ao medo de ser enganado, traído ou abandonado.
- Relações ansiosas. Em que são baseadas? Você já pode imaginar: na preocupação constante em ser ferido e no questionamento sobre o amor da outra pessoa. São aquelas relações onde provas de amor são exigidas o tempo todo. Há tentativa constante de controle sobre a outra pessoa.
- Relações distantes: Seria o pólo oposto da relação ansiosa. Nesse caso, a indiferença e o desprezo se destacam e há pouca necessidade de demonstrar afeto para a outra pessoa.

2. Satisfação das necessidades básicas

Há dimensões essenciais que definem relações enriquecedoras, como sermos respeitados e compreendidos pelos nossos parceiros. Receber apoio quando precisamos ou uma palavra de suporte quando estamos preocupados, por exemplo. Aqui falamos daquele abraço que cura tudo ou mesmo daquele olhar de cumplicidade que não requer explicação.

As pessoas têm necessidades e, pensando no relacionamento a dois, é essencial que várias delas sejam satisfeitas para que ele valha a pena. A construção de um casal deve ser definida por um projeto comum onde todos os esforços visem o bem estar de casa um e dos dois como um todo.

3. Capacidade para resolver problemas

A resolução dos problemas do casal sempre passará pelas seguintes etapas:

Compreensão.
Empatia.
Habilidades de comunicação adequadas.
Não se concentrar apenas nos aspectos positivos ou negativos.
Capacidade para propor ideias e aplicar soluções.
Senso de humor.

4. Capacidade de reconstrução

Sabemos que no decorrer da relação ambos os parceiros cometerão erros. Relações positivas são aquelas em que os parceiros são capazes de admitir esses erros e omissões. Entretanto, mais do que identificar o problema, é necessário vontade de adaptação.

Cometer um erro é uma grande oportunidade de aprendizado e conhecimento. Enquanto existir um casal  os conflitos serão necessários para o alinhamento uma vez que cada um deve ter suas próprias vontades e gostos.

Agora, se você realmente ama alguém, você certamente buscará meios para administrar essas diferenças. Após os problemas, a reconstrução da relação sempre deverá ser baseada no interesse dos dois, ora adaptando-se mais para um lado, ora mais para o outro, de maneira que haja progresso dos parceiros sem anulação de nenhum.

E você, como tem cuidado de seus pilares?



A felicidade possível


Só quem está disposto a perder tem o direito de ganhar. Só o maduro é capaz da renúncia. E só quem renuncia aceita provar o gosto da verdade, seja ela qual for.
O que está sempre por trás dos nossos dramas, desencontros e trambolhões existenciais é a representação simbólica ou alegórica do impulso do ser humano para o amadurecimento.
A forma de amadurecer é viver. Viver é seguir impulsos até perceber, sentir, saber ou intuir a tendência de equilíbrio que está na raiz deles (impulsos). A pessoa é impelida para a aventura ou peripécia, como forma de se machucar para aprender, de cair para saber levantar-se e aprender a andar. É um determinismo biológico: para amadurecer há que viver (sofrer) as machucadelas da aventura e da peripécia existencial.
A solução de toda situação de impasse só se dá quando uma das partes aceita perder ou aceita renunciar (e perder ou renunciar não é igual, mas é muito parecido. é da mesma natureza). Sem haver quem aceite perder ou renunciar, jamais haverá o encontro com a verdade de cada relação. E muitas vezes a verdade de cada relação pode estar na impossibilidade, por mais atração que exista. Como pode estar na possibilidade conflitiva, o que é sempre difícil de aceitar.
Só a renúncia no tempo certo devolve as pessoas a elas mesmas e só assim elas amadurecem e se preparam para os verdadeiros encontros do amor, da vida e da morte. Só quem está disposto a perder consegue as vitórias legítimas.
Amadurecer acaba por se relacionar com a renúncia, não no sentido restrito da palavra (renúncia como abandono), porém no lato (renúncia da onipotência e das formas possessivas do viver).
Viver é renunciar porque viver é optar e optar é renunciar.
Renunciar à onipotência e às hipóteses de felicidade completa, plenitude etc… É tudo o que se aprende na vida, mas até se descobrir que a vida se constrói aos poucos, sobre os erros, sobre as renúncias, trocando o sonho e as ilusões pela construção do possível e do necessário, o ser humano muito erra e se embaraça, esbarra, agride, é agredido.
Eis a felicidade possível: compreender que construir a vida é renunciar a pedaços da felicidade para não renunciar ao sonho da felicidade.