terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Eu não preciso de você

Eu não preciso de você. Eu preciso perder a barriga, preciso de um ferro de passar roupas e preciso mandar lavar o carro. Mas de você eu não preciso. Talvez até eu precise me vestir melhor, usar um corte de cabelo mais moderno e comprar papel higiênico – está acabando. Mas definitivamente eu não preciso de você. Mas eu quero você. Um diabético não deseja a insulina.  Eu não adoro meu remédio da tireoide que eu tenho que tomar todos os dias. Mas eu preciso dele. E um diabético precisa da insulina. Ambos por não termos opção. Eu não preciso que você me entenda como ninguém nunca me entendeu, nem que você me acalme como você sempre faz, muito menos preciso daquele carinho no pescoço que você faz sempre quando me beija, como se você fosse a minha esposa e eu um soldado que passou dez anos em uma guerra do outro lado do mundo. Mas eu quero que você me entenda, me acalme e me beije desse jeito. Sempre.
Eu não preciso conversar com você por horas todos os dias, nem deitar no seu colo e ganhar cafuné. Tampouco preciso ouvir você falar apaixonadamente sobre teatro por horas e horas. Mas conversar com você, ganhar cafuné e ouvir você falar – linda! – sobre teatro por horas a fio é o que eu mais quero nesse momento. Não por necessidade, porque se fosse isso, não importaria o que eu sinto, seria somente algo que eu preciso. Eu poderia, hoje por exemplo, ficar em casa, sem fazer nada. Mas eu preferiria sair para passear com você. A minha vida sem você não seria impossível. Eu não ia morrer nem virar um ermitão nas montanhas. Mas com você a minha vida seria muito mais divertida, não há como negar isso.
O meu remédio para ansiedade tem quase o mesmo efeito que você: me acalma, me deixa menos impulsivo e menos ansioso. Mas eu não queria ter que toma-lo. Já você, se pudesse eu tomaria você de quatro em quatro horas, cinco vezes por dia, e o efeito seria sobremaneira melhor que o do remédio. O remédio não fica com os olhos fechados por vários segundos depois que me beija nem fala com voz doce quando precisa me dar uma bronca. Dizer que eu preciso de você seria minimizar todo o bem que você me faz. Seria como dizer que eu preciso de um remédio ou de camisas novas. Poder ser quem eu sou de verdade, sem ter que disfarçar nada nem esconder nem um pedacinho é algo que eu nunca havia experimentado. E admito que é bem melhor do que eu imaginava que pudesse ser. E viver isso não é uma questão de necessidade. É uma questão de liberdade, de paz de espírito. A paz de espírito que você me traz quando me faz carinho enquanto eu dirijo e quando fala, ao final de toda mensagem: “Fica bem”. Não a paz de espírito que eu preciso. Mas a paz de espírito que eu quero. Assim como quero e preciso de você.


Léo Luz


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Desejo, primeiro, que você ame, e que, amando, também seja amado. E que se não for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde mágoa. Desejo, pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que você tenha amigos que, mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis, e que pelo menos em um deles você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos, nem poucos, mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezas.
E que, entre eles, haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiado seguro. Desejo, depois, que você seja útil, mas não insubstituível.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante, não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com os que erram muito e irremediavelmente, e que fazendo bom uso dessa tolerância, você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais, e que, sendo maduro, não insista em rejuvenescer, e que, sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste, não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra, com a máxima urgência, acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cuco e ouça o joão-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal, porque, assim, você se sentirá bem por nada. Desejo também que você plante uma semente, por mais minúscula que seja, e acompanhe o seu crescimento, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outros sim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente e diga "isso é meu", só para que fique bem claro quem é o dono de quem. Desejo também que nenhum de seus afetos morra, por ele e por você, mas que se morrer, você possa chorar sem se lamentar, sofrer e sem se culpar.
Desejo por fim que você, sendo um homem, tenha uma boa mulher, e que, sendo uma mulher, tenha um bom homem e que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte, e quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda haja amor para recomeçar. E se tudo isso acontecer, não tenho mais a te desejar.”
___ Victor Hugo


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A importância de lutar pela relação


Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir.
Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar.
Caio Fernando Abreu

10 PROBLEMAS QUE VOCÊ TEM, MAS NÃO PRECISA TER

1. O que os outros vão pensar de mim?

Você não sabe e não quer saber em 99% dos casos, já que você não tem poder telepático nem influência no que outras pessoas pensam. Lidar com problemas que estão fora do seu controle lhe tornam frustrado pela simples razão de que você não pode controlá-los e não por causa do sofrimento real causado por tal questão.
Por exemplo, você imagina o que seu colega pensa de você, mas você o encontra uma vez por semana no máximo, não existe relacionamento profundo entre vocês e, na verdade, você nem se importa com ele. Parafraseando o princípio de Pareto, 20% das pessoas na sua vida causam 80% da sua boa recompensa, ao passo que 1% dessas pessoas da sua vida é responsável por 99% das suas emoções negativas. E tem mais, um mecanismo de projeção está envolvido: você imagina o que os outros pensam de você, sem perceber que isto é o que você pensa de si mesmo! É provado que se você está com medo, acha os outros mais perigosos do que eles realmente são, e se você é submisso, vai enxergar os outros mais dominadores do que eles realmente são. Isto quer dizer que o que você está fazendo, na verdade, é culpar os outros do que acha de si mesmo.
O que os outros pensam de você não é problema seu, e você pode controlar isso somente até certo ponto. Entretanto, na tentativa de fazer os outros pensarem bem de você, pode estar se enganando e perder uma coisa muito mais valiosa chamada ‘a imagem que você tem de si mesmo’. E isso sim é uma coisa que você pode controlar.

2. Os outros vão me aceitar?

Provavelmente não, principalmente se você agir de uma forma longe de ser considerada normal. Tentar ser aceito pelos outros, encontrar aceitação, amor ou conquistar alguém não vão te levar a lugar algum a não ser à perda de concentração e traição de seus ideais.
O mundo está cheio de pessoas diferentes. Algumas delas são particularmente resistentes a mudanças. Portanto, esperar aceitação de uma pessoa que é focada somente em suas crenças é perda de tempo e energia. Existirão, também, pessoas que digam que você não é o que elas esperavam e que vão tentar lhe mudar até que você se encaixe no que elas consideram ideal.
Maridos tentando mudar esposas ou esposas tentando mudar seus maridos – isso, geralmente, leva ao conformismo e lhe leva a viver uma vida que vai contra o seu jeito de ver as coisas. Na vontade de que outras pessoas gostem de você, inconscientemente você se torna uma pessoa comum, ordinária. O problema é que uma pessoa ordinária, sem uma personalidade distinta, não será lembrada. Se você foca nas coisas que tem que fazer na sua vida, para de viver para os outros e começa a viver sua própria vida, baseada na sua própria intuição. Além do mais, se suas ações entram em conflito com a cultura do meio em que você está, deve estar preparado para receber críticas gerais, uma coisa que você não pode controlar.

3. Meu parceiro não é a pessoa que eu achei que fosse

Bem, ele ou ela nunca serão. Afinal, esta provavelmente não é a razão de você ter decidido estar com ele ou ela. São as diferenças entre você e seu parceiro que encorajam a evolução da relação e, sem elas, você ficaria entediado no mundo do relacionamento estável.
Tentar mudar seu parceiro até que ele corresponda à imagem que quer que ele tenha, na maioria dos casos, leva a uma ou duas situações. A primeira é, infelizmente, quando você atinge seu objetivo. Neste caso, seu parceiro (ou parceira) muda mesmo sob pressão das suas expectativas e, na maioria das vezes, contra a vontade, então, ele ou ela não respeitam mais eles mesmos e deixam de ser atrativos pra você. A segunda situação é o conflito, porque o ego do seu parceiro ou parceira, mudado ao seu gosto, se rejeita e se ataca, ativando o mecanismo de defesa.
Mudanças como esta são, a um certo nível, um ato de violência contra o que seu parceiro ou parceira entende por o que é ser aceitável ou não pra você, fazendo com que ele ou ela pense que agora sim é o parceiro perfeito pra você. Seu conceito é, no entanto, geralmente idealizado e inspirado em histórias de romance e contos de fadas contados por avós desapontadas com seus próprios maridos, ou inspirado na expectativa que seu parceiro lhe ame, assim como seu pai ama você. Entretanto, se você olhar através do olhar do seu pai, nenhum homem vai amar sua mulher da mesma forma que o pai dela a ama. Igualmente, nenhuma esposa vai conquistar sua sogra se sua imagem sobre seu filho for distorcida. É mais maduro entender que as pessoas mudam quando elas nos veem como um exemplo de mudança sobre o que elas pensam e agem para, assim, agir e pensar diferente.

4. Eu não consigo entender por que essa pessoa fez isso

Você não consegue entender porque você não sabe quais motivos o levaram a ter essa atitude, sua vida pessoal, sua crença, seu jeito de ser e pensar. Se você não o faria, nunca saberá por que tal pessoa fez aquilo, especialmente se fazer aquilo vai contra sua visão sobre a vida. Serial Killers, como Henry Lee Lucas, culpam seus assassinatos pela condição de vida que tiveram. Outros (como Jeffrey Dahmer) culpam seus atos por uma carência que existe dentro deles mesmos ou pelo tempo passado na cadeia (Carls Panzram).
Racionalizar posteriormente, ou seja, pensar no que você acabou de fazer, permite sua mente inventar qualquer história convincente que sirva como explicação para sua ação (por exemplo, tentar explicar a você mesmo o porquê de estar comprando uma coisa que não precisa), embora você não esteja consciente desse processo. E, mais que isso, outras pessoas podem, talvez, não entender sua explicação. Isso é a mesma coisa que contar mentiras.
Todo mentiroso tem sempre uma explicação convincente da sua mentira e, mesmo eles sabendo disso, ainda acham que mentir é mais benéfico do que dizer a verdade. Qual é a conclusão? Você não entende sempre por que uma pessoa fez alguma coisa. Bem, você não precisa! É suficiente se você entrar em acordo com os fatos e responder a essas pessoas sem julgá-las.

5. Eu sou o tipo de pessoa que deveria ser?

Você provavelmente nunca será este tipo de pessoa, mas isso é realmente um problema? O processo de evolução humana não terminou ainda, e quanto mais ambicioso você é, maior a discrepância entre o tipo de pessoa que você acha que pode ser e o tipo de pessoa que é. Sucesso é acompanhado de grandes problemas e, também, grandes ‘demônios’ para derrotar. Quanto mais inteligente você é, mais sente que estupidez machuca (nunca machuca se você é estupido, porque você só consegue perceber isso se for inteligente). Quanto mais você conhece seu potencial, menos tolera a indolência e mais quer alcançar seus objetivos. Perfeccionismo só confirma que “o máximo não é o ótimo” – o fato de você poder ir a 250km/h não significa que você deve dirigir sempre a essa velocidade. O tempo, por exemplo, pode lhe fazer baixar para 40km/h e, se essa for a velocidade ótima, será o melhor a se fazer.
Especialmente hoje em dia, quando o valor de uma pessoa é baseado em suas conquistas (diplomas, dinheiro e habilidades), é fácil cair na armadilha de se menosprezar e pensar “eu ainda não cheguei aonde quero chegar”. Sucesso assim é tóxico. Você vai achar saudável quando entender que ‘Eu sou bom e posso ser melhor’.

6. O mundo é ruim

Isto lhe fará se sentir frustrado, pois esse pensamento é baseado em dissonância cognitiva, ou seja, a diferença entre como você espera que as coisas sejam e como as coisas realmente são. O mundo é o que é. O ser humano está sempre num certo estágio de desenvolvimento de sua consciência e – dependendo do ponto de referência, pode ser tanto primitivo, quanto evoluído. Olhando sob a perspectiva do mundo atual, o costume de afogar as mulheres que eram suspeitas de bruxaria na Idade Média é primitivo.
Similarmente, as futuras gerações não serão capazes de acreditar que uma vez o homem determinou seu valor baseando-se no seu número de bens materiais. A decomposição moral do mundo, na maior parte das vezes motivada pela cultura ou religião, pelo ‘bem’ ou pelo ‘mal’, leva a visões extremistas e falta de aceitação de uma certa ordem ou curso das coisas, o que deveria ser natural na evolução de cada espécie em cada estágio de desenvolvimento. O que era bom no passado não precisa ser bom agora, e o que é bom pra mim pode não ser bom pra você. A quantidade do que é bom é sempre proporcional à quantidade do que é ruim, e a vida é muito mais fácil se você basear menos sua vida em visões extremistas e mais em fatos, e se suas ações forem adequadas.

7. Eu consigo evitar problemas

Você não pode porque problemas são mais causados pelo seu cérebro do que pelo mundo exterior. Afinal, você não pode escapar de si mesmo. Não há tal estímulo no mundo que possa matar, mas uma pessoa motivada por suas ideias e conceitos é até capaz de tirar a própria vida. Por exemplo, apesar de o risco de morrer num acidente de avião ser de 1 em 11 milhões, o risco de ser morto por um tubarão ser de 1 em 3.7 milhões e o risco de morrer num acidente de carro ser de 1 em 5000, as pessoas tem mais medo de viajar de avião do que de carro.
Os problemas são maiores na nossa imaginação do que na realidade e evitá-los lhe trará mais problemas do que encará-los. A estratégia de perder benefícios para eliminar problemas (por exemplo: “eu não vou viajar de avião para não morrer) não funciona e a quantidade de problemas na sua vida será sempre a mesma.
Os pobres reclamam que não tem nenhum dinheiro, e os ricos tem medo de perder o deles. Uma modelo brasileira tem mais complexos do que um desdentado que mora embaixo da ponte, apesar de a qualidade de vida da modelo ser incomparavelmente melhor que a do pobre homem. Não importa quão rico ou pobre você é, o número de problemas na sua vida será sempre proporcional ao número de benefícios. É muito mais importante o modo como você conduz sua vida.

8. Os outros me irritam

Não são os outros, mas seu pensamento de que eles deveriam ser isto ou aquilo e o tipo de pessoa que você queria que eles fossem. É por isso que você está irritado. Manias como “se a pessoa X pudesse mudar…” não vão levá-lo a lugar nenhum, porque X não vai mudar ou vai ser substituído por um Y que, no final, vai ser a mesma coisa. Mesmo se olharmos para as coisas estatisticamente, é mais fácil mudar o mundo do que mudar você mesmo. Não são os outros os responsáveis por suas reações emocionais, porque é seu julgamento sobre as ações delas que vai gerar certas experiências emocionais.
Uma pessoa pode ficar comovida com o choro de uma criança e outra não (por achar que criança chorando é absolutamente natural nesta idade). Outra pessoa poderia até se sentir orgulhosa por seu filho saber já expressar suas próprias emoções. Ao invés de dizer: “X me irrita”, diga “a impressão que eu tenho daquela pessoa me irrita”, e assim você será capaz de controlar as coisas de novo. Os judeus já diziam: “Não seja o objeto das atividades do mundo, seja a causa delas”. Isto vai lhe ajudar a recuperar o controle que trará novamente para você o senso de responsabilidade.

9. Minha vida não corresponde às minhas expectativas

E nunca corresponderá, a menos que você cuide dela. Reclamando, resmungando, culpando os outros pelas suas falhas, culpando os políticos por regerem mal o seu país, xingando seu chefe porque ele paga pouco, ficar contra tudo porque está em uma maré de azar na vida ou se revoltar com seus pais pela educação que lhe deram – tudo isso lhe faz fugir da responsabilidade da vida. Se você não gosta dos políticos do seu país, entre para um partido político que o agrade. Se seu salário é muito baixo, arrume um novo emprego.
Se você não gosta do seu país, deixe-o, etc. Você é a única pessoa responsável pela sua vida e, se ainda não se deu conta disto, existem pouquíssimas pessoas no mundo que realmente se importam com você. Seus parentes diretos até podem, mas todos os outros seres vivos do planeta o veem como um corpo qualquer (um homem, uma mulher, um velho). Se você não retomar as rédeas da sua vida, outra pessoa o fará. Nunca se arrependa de fazer alguma coisa, mas sim de não fazer.

10. Por que isso acontece comigo?

Por que justo comigo? Bem, de que maneira você gostaria que o mundo respondesse isso pra você? Se é da maneira Budista, tudo é determinado pelo tipo de pessoa que você foi em vidas passadas e isto é o Karma. Se é da maneira católica? Bem, é o que Deus reservou a você. De maneira intelectual? Porque isso é o efeito de uma certa causa. Lide com as coisas que você pode controlar e deixe o resto para o Buda/Deus/Karma/destino.
A verdade é que certas coisas estão além do seu controle e você não tem ideia de como nem porque algumas coisas acontecem (por exemplo, a queda do avião da Malaysia Airlines). Talvez um dia você consiga a resposta. Mas até lá, você não pode controlar certas coisas. Se você desistir do seu senso de oposição e deixar que as coisas aconteçam, será capaz de se adaptar às novas situações mais rapidamente e agir de modo correto no futuro.

Escrito por Mateusz Grzesiak via Brasil Post


domingo, 18 de janeiro de 2015

Seis ensinamentos de Martha Medeiros:


• ”Felicidade é a facilitação da vida. Eu chamo felicidade de simplicidade. Não dá para supervalorizar as coisas que dão errado”
• “Temos que deixar de lado o autoboicote. Não estou falando das grandes tragédias da vida, como a morte, um desemprego, por exemplo. Na verdade, as grandes tragédias mesmo são quatro ou cinco. Não podemos nos paralisar”
• ”Todos nós devemos ter uma espécie de caixa de ferramenta para encarar a vida. Pra mim, a literatura, o budismo, a astrologia, a terapia, entre outras coisas, fazem parte desse caixa. Mas cada um tem que encontrar a sua.”
• ”Um recado? Se desapeguem das respostas um pouco. Claro, não dá pra esquecer das perguntas, mas temos que curti-las mais ao invés de ficar tão preocupados com as respostas”
• ”O não é uma preguiça, e eu faço isso muitas vezes. Temos que dizer mais sim, para deixar a vida mais divertida. Temos que experimentar este sim mais vezes”
• ”O amor é uma loucura, o cérebro e o coração não dialogam. Hoje em dia, há uma urgência muito grande, as pessoas não dão mais tempo para ajustar um relacionamento. Parece que estão sempre perdendo alguma coisa, que há uma festa legal que precisa ir. Hoje, não se tem tempo pra nada”
___________________ Crônicas de Martha Medeiros

sábado, 17 de janeiro de 2015

Você vive ou acumula?

Um jovem advogado foi indicado para inventariar os pertences de um senhor recém falecido. Segundo o relatório do seguro social, o idoso não tinha herdeiros ou parentes vivos. Suas posses eram muito simples. O apartamento alugado, um carro velho, móveis baratos e roupas puídas. “Como alguém passa toda a vida e termina só com isso?”, pensou o advogado. Anotou todos os dados e ia deixando a residência quando notou um porta-retratos sobre um criado mudo.
Na foto estava o velho morto. Ainda era jovem, sorridente, ao fundo um mar muito verde e uma praia repleta de coqueiros. À caneta escrito bem de leve no canto superior da imagem lia-se “sul da Tailândia”. Surpreso, o advogado abriu a gaveta do criado e encontrou um álbum repleto de fotografias. Lá estava o senhor, em diversos momentos da vida, em fotos em todo canto do mundo.
Em um tango na Argentina, na frente do Muro de Berlim, em um tuk tuk no Vietnã, sobre um camelo com as pirâmides ao fundo, tomando vinho em frente ao Coliseu, entre muitas outras. Na última página do álbum um mapa, quase todos os países do planeta marcados com um asterisco vermelho, indicando por onde o velho tinha passado. Escrito à mão no meio do Oceano Pacífico uma pequena poesia:
Não construí nada que me possam roubar.
Não há nada que eu possa perder.
Nada que eu possa trocar,
Nada que se possa vender.
Eu que decidi viajar,
Eu que escolhi conhecer,
Nada tenho a deixar
Porque aprendi a viver...

Não tenha medo da luz acesa

Você saiu da banheira de forma abrupta, de maneira acrobática aplicou um giro rápido de cento e oitenta graus e dirigiu-se ao banheiro fazendo um Moonwalk para que eu não pudesse olhar diretamente para sua bunda. Em um piscar de olhos, conseguiu esconder sua parte mais linda atrás de um desnecessário roupão. Sim, eu sei que mesmo depois de alguns bons meses juntos, fodas bem dadas, garrafas de vinho extintas e nossos suores misturados, você ainda tem vergonha de mim e, infelizmente, não consegue livrar-se do medo que tem de expor suas características humanas aos meus olhos, não menos humanos.
Pois saiba que, muitas vezes, priva-me de seus melhores ângulos como se eu fosse um crítico ranzinza do programa Ídolos e, a qualquer instante, pudesse tirar do bolso uma placa contendo a nota zero, para assim, humilhar você e fazer você sair do palco engolindo o choro. Quero que saiba, de uma vez por todas, que eu sempre aplaudirei  seus passos ensaiados e que não deixarei de te amar nem um pouquinho, nas tantas vezes que ainda irá tropeçar e cair como qualquer pessoa faz. Pelo contrário, vou sempre levantar você pelos pulsos e, quando isso não for possível, vou jogar-me no chão junto com você para rirmos da vida deitados no asfalto.
Porque gosto mesmo quando você foge do script e não percebe que está com a pontinha do nariz suja de sorvete. Adoro quando nos teletransportamos da balada direto para cama e quando lá a deixo sem forças até para tirar a maquiagem, pois no dia seguinte você fica linda parecendo uma panda de ressaca.
Quero que saiba agora, e não amanhã, o quanto eu acho você bonita mesmo quando faz careta.
Não tem ideia de como eu ficaria feliz se você, ao menos uma vez, relaxasse e soltasse a barriga enquanto comemos Doritos sentados e pelados em cima da cama. Eu não tenho nada contra as suas dobrinhas e espero também que não tema minha barriga cultivada à base de Boêmia, bordas recheadas amanhecidas e ausências na academia.
É claro que acho você uma gostosa dentro daquele baby-doll preto, mas preciso realmente que saiba o quanto adoro ver você recheando aquela camiseta velha da sua formatura do terceiro colegial.
Adoraria que você se esquecesse de pedir para apagar a luz e me permitisse devorar com os olhos cada cantinho seu – porque, afinal, se estou com você agora, significa que é com você que quero estar e que acho você linda do jeitinho que você é.
E é óbvio que aquele saltão me dá uma puta vontade de morder suas panturrilhas, mas peço que use mais vezes aquela sapatilha vermelha super confortável, e sabe por quê? Pois tenho tesão também pelo seu bem-estar e por saber que, na minha frente, em cima de mim, do meu lado e comigo, sente-se realmente livre para ser humana.
Não estou pedindo para fazer cocô de mãos dadas comigo, nada disso. Peço apenas para despir-se de verdade, que remova não apenas as roupas, mas também essa desnecessária vontade de parecer perfeita.